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NOTÍCIAVasco recorre à Justiça para tentar enfrentar o Boca Juniors no Maracanã

Vasco recorre à Justiça para tentar enfrentar o Boca Juniors no Maracanã

Clube contesta negativa da concessionária e pede liberação do estádio para a semifinal da Sul-Americana marcada para 20 de outubro

🕒 Publicado em 02/10/2026 às 09:14

O Vasco da Gama entrou na Justiça para tentar garantir o Maracanã como palco do confronto contra o Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana. A partida está prevista para o dia 20 de outubro de 2026, mas o local ainda é motivo de disputa entre o clube e a concessionária que administra o estádio.

Na quinta-feira (1º), o Cruzmaltino apresentou um pedido de tutela de urgência contra a Fla-Flu Serviços S.A., responsável pela administração do Maracanã. O Vasco afirma que precisa informar à Conmebol o estádio escolhido para a partida até a próxima segunda-feira (5).

A ação foi apresentada depois que a concessionária recusou formalmente o pedido de utilização da arena. Entre as justificativas apresentadas estão questões técnicas e operacionais, principalmente relacionadas à preservação do gramado.

Como alternativa, a empresa indicou ao Vasco o Estádio Nilton Santos, utilizado pelo Botafogo.

Concessionária aponta excesso de partidas

Na resposta enviada ao clube, a Fla-Flu Serviços argumenta que o Maracanã vem recebendo um número elevado de partidas, o que aumenta o desgaste do gramado.

A concessionária comparou a situação do estádio carioca com arenas europeias, citando o San Siro, em Milão, utilizado por Milan e Inter de Milão, e o Estádio da Luz, em Lisboa, casa do Benfica.

Segundo a empresa, o Maracanã recebeu 21 partidas apenas no segundo semestre de 2026, enquanto o Estádio da Luz teria recebido 12 jogos a menos no mesmo período.

Considerando todo o ano de 2026 até o momento citado na ação, a concessionária afirma que o Maracanã recebeu 58 partidas, contra 31 jogos realizados no San Siro.

A empresa utiliza esses números para sustentar que o gramado do estádio carioca estaria submetido a uma carga de utilização superior à de outras grandes arenas.

Chuva e calor também são citados

Além do calendário de jogos, a concessionária aponta as condições climáticas como outro fator que teria contribuído para o desgaste do gramado.

Segundo a empresa, as temperaturas mais altas registradas em comparação com 2025 prejudicaram o desenvolvimento da grama. O volume de chuvas em agosto de 2026, ainda de acordo com a concessionária, foi 208% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.

A empresa afirma ainda que o aumento da quantidade de partidas realizadas durante ou logo após períodos de chuva acelerou o desgaste do campo.

Outro argumento é a necessidade de intervalos mínimos entre os jogos para permitir a realização de manutenção adequada.

Maracanã já tem outros jogos programados

A Fla-Flu Serviços também informou que o Maracanã possui três partidas previstas entre 18 e 25 de outubro, sendo duas do Flamengo e uma do Fluminense.

Na avaliação da concessionária, a inclusão do confronto entre Vasco e Boca Juniors em 20 de outubro faria com que o estádio recebesse três partidas em cinco dias e quatro em uma semana.

Segundo a empresa, esse calendário dificultaria a execução dos trabalhos de manutenção previstos e poderia comprometer ainda mais as condições do gramado e a segurança dos atletas.

A concessionária também destacou que o Vasco já utilizou o Maracanã em seis oportunidades desde 2025 e afirmou que a negativa atual não representa uma restrição permanente ao clube.

Vasco apresenta argumentos à Justiça

Na ação, o Vasco sustenta que São Januário não pode receber a partida porque o estádio possui capacidade oficial para aproximadamente 21,8 mil torcedores, enquanto o regulamento da Conmebol exige pelo menos 30 mil lugares para essa fase da competição.

Por esse motivo, o clube afirma ter sido obrigado a procurar outra arena.

Para o Vasco, o Maracanã seria a alternativa mais adequada por possuir capacidade para cerca de 78,8 mil espectadores, além de oferecer, segundo o clube, melhores condições de infraestrutura, logística e segurança.

O Cruzmaltino também afirma que a Polícia Militar teria apontado o Maracanã como o local mais adequado para a realização do confronto.

Clube questiona indicação do Nilton Santos

O Vasco também contesta a indicação do Nilton Santos como alternativa ao Maracanã.

Na argumentação apresentada à Justiça, o clube afirma que os estádios não são equivalentes porque a arena do Botafogo possui capacidade menor e utiliza gramado sintético.

O Vasco destaca que disputou toda a competição em campos naturais e argumenta que uma mudança de superfície poderia representar uma desvantagem esportiva.

O clube também afirma estar sendo tratado de maneira desigual pela concessionária e defende que os estádios administrados pela empresa devem ser disponibilizados de maneira isonômica aos clubes.

Outro argumento apresentado é que partidas oficiais deveriam ter prioridade em relação a outros eventos quando houver disputa pela utilização da arena.

Clube contesta justificativas sobre o gramado

O Vasco também questionou a justificativa de preservação do campo apresentada pela concessionária.

Segundo o clube, o gramado do Maracanã estaria passando por uma substituição completa antes da partida contra o Boca Juniors. A equipe afirma ainda que o próprio cronograma de manutenção do estádio demonstra que já houve realização de partidas em intervalos menores.

Com base nesses argumentos, o Vasco considera inconsistente a negativa para a realização do confronto no estádio.

O que o Vasco pediu à Justiça?

Na ação apresentada à 2ª Vara Cível do Rio de Janeiro, o clube fez quatro pedidos principais:

  1. Liberação imediata do Maracanã para o jogo contra o Boca Juniors, em 20 de outubro;
  2. Garantia de condições iguais às oferecidas a Flamengo e Fluminense;
  3. Autorização para utilização integral da carga de ingressos, mosaicos e demais estruturas relacionadas à partida;
  4. Aplicação de multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento da decisão.

A definição sobre o estádio será importante para o planejamento da partida, já que o Vasco precisa comunicar oficialmente à Conmebol o local do confronto dentro do prazo apresentado na ação.

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