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Polícia aponta tentativa de apagar provas após mortes em grupo clandestino de rope jump

Investigação revela que organizadora teria ordenado exclusão de vídeos de acidentes e indiciado quatro integrantes por homicídio com dolo eventual e fraude processual.

🕒 Publicado em 06/07/2026 às 11:12

A investigação da Polícia Civil sobre a morte de uma jovem durante um salto de rope jump em Limeira (SP) revelou indícios de tentativa de ocultação de provas após acidentes registrados na chamada Ponte do Esqueleto. Depoimentos reunidos no inquérito apontam que uma das responsáveis pelo grupo “Entrecordas” teria determinado a exclusão de imagens gravadas no momento das ocorrências, incluindo um acidente fatal e outro envolvendo uma criança.

Segundo os investigadores, Evelyne dos Santos, identificada como organizadora da equipe e conhecida nas redes sociais como “CEO do Entrecordas”, teria orientado funcionários a recolher equipamentos de gravação e apagar os vídeos registrados após os acidentes. Ela permanece presa e foi indiciada por homicídio com dolo eventual e fraude processual.

Um dos depoimentos afirma que, após a morte de Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, ocorrida em 13 de junho, Evelyne determinou que um funcionário recuperasse a câmera GoPro utilizada pela vítima para eliminar as imagens do salto. A jovem foi lançada da ponte sem estar conectada à corda de segurança, falha confirmada posteriormente por um vídeo gravado com o celular da própria vítima.

Ainda conforme o inquérito, ao menos três testemunhas disseram ter visto uma pessoa retirar a câmera logo após a queda. No entanto, integrantes da equipe afirmaram em depoimento desconhecer o paradeiro do equipamento e negaram saber se Maria Eduarda utilizava a câmera no momento do acidente.

As investigações indicam que a suposta tentativa de eliminar provas não ocorreu apenas neste caso. Uma ex-integrante do grupo enviou à polícia uma mensagem de áudio relatando que, meses antes, também recebeu orientação para apagar imagens de um acidente envolvendo um menino de nove anos.

Segundo o relato, a justificativa era evitar que o vídeo chegasse ao conhecimento do pai da criança, que também fazia parte da equipe e poderia reagir negativamente ao ocorrido.

Acidente anterior já indicava riscos

O inquérito aponta que, cerca de três meses antes da morte de Maria Eduarda, outro grave acidente aconteceu na mesma ponte. Em março, uma falha no sistema de frenagem da corda, conhecido como debreagem, provocou a queda de um menino de nove anos durante um salto.

Luis Gustavo, integrante da equipe que saltou ao lado da criança, relatou à polícia que percebeu algo errado ao ouvir pessoas gritando o nome do garoto e, ao olhar para o lado, viu a vítima caída no chão.

O pai do menino, que também trabalhava no grupo, acompanhava a atividade e foi ouvido como testemunha durante as investigações.

Mesmo após o episódio, as atividades continuaram normalmente no local, culminando na tragédia registrada em junho.

Grupo operava sem autorização

Com a conclusão do inquérito, quatro pessoas foram indiciadas por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de provocar a morte. Além de Evelyne dos Santos, foram indiciados Vitor de Freitas, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, identificados nas imagens como responsáveis por lançar Maria Eduarda da ponte.

Outros dois investigados, que haviam sido presos inicialmente, tiveram a prisão revogada durante o andamento das investigações.

Os depoimentos também reforçaram as suspeitas de ocultação de provas. O funcionário Luis Gustavo confirmou ter recebido uma ordem direta para recuperar a câmera utilizada pela vítima.

De acordo com seu relato, a organizadora afirmou que era necessário apagar imediatamente o vídeo registrado no momento do acidente.

Polícia aponta falhas graves de segurança

Durante os interrogatórios, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff admitiram que eram responsáveis por verificar se o equipamento de segurança estava corretamente preso ao corpo da vítima antes do salto, mas disseram não conseguir explicar por que essa conferência não foi realizada.

O relatório final da Polícia Civil concluiu que as atividades eram executadas de forma desorganizada, com deficiência na estrutura de segurança, ausência de isolamento adequado da área e grande quantidade de saltos em curto espaço de tempo, fatores que aumentavam significativamente o risco de falhas humanas.

A investigação também constatou que o grupo realizava a atividade de forma clandestina há mais de um ano, sem registro formal como empresa.

Após a tragédia, a Ponte do Esqueleto, patrimônio sob responsabilidade da Secretaria do Patrimônio da União, teve o acesso interditado com cercas de arame farpado, placas de advertência, valas e barreiras de terra para impedir novas práticas no local.

Defesas contestam acusações

A defesa de Evelyne dos Santos informou que discorda do indiciamento e afirmou que apresentará seus argumentos durante o andamento da ação judicial.

Já os advogados de Vitor de Freitas contestam a acusação por homicídio com dolo eventual. As defesas de Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff sustentam que o caso deve ser enquadrado como homicídio culposo, por entenderem que não houve intenção nem assunção do risco de provocar a morte.

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