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NOTÍCIAPetróleo perto de US$ 110 pressiona combustíveis e amplia debate sobre biocombustíveis

Petróleo perto de US$ 110 pressiona combustíveis e amplia debate sobre biocombustíveis

Tensões no Oriente Médio elevam os riscos para o abastecimento global, enquanto o Brasil amplia subsídios ao diesel importado e discute alternativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

🕒 Publicado em 19/10/2026 às 09:04

O avanço das tensões geopolíticas voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo e aumentou as preocupações com o abastecimento de combustíveis. O barril do Brent fechou a sexta-feira (16) cotado a US$ 109,86, impulsionado pelos riscos associados a ataques contra navios e instalações energéticas no Golfo Pérsico.

A situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo, mantém o mercado em alerta. Atrasos nas entregas e possíveis interrupções na produção podem reduzir a oferta disponível e sustentar os preços em patamares elevados.

Diante desse cenário, a possibilidade de o petróleo encerrar 2026 acima de US$ 100 por barril, próximo de US$ 110, ganhou relevância. Em 16 de outubro, o Goldman Sachs projetava o Brent a US$ 90 em dezembro. Já a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA) estimava preço médio de US$ 105 no quarto trimestre.

As projeções consideram períodos e metodologias diferentes, mas evidenciam a incerteza provocada pelos conflitos internacionais. Uma eventual negociação que restabeleça os fluxos de petróleo poderá reduzir o prêmio de risco e aliviar as cotações.

Diesel também sofre pressão internacional

Os efeitos da crise não se limitam ao petróleo bruto. Ataques contra refinarias russas prejudicam a disponibilidade de derivados, especialmente o diesel, o que pode manter os preços elevados mesmo diante de uma eventual queda do Brent.

No Brasil, a dependência de importações amplia a exposição às oscilações do mercado internacional. Segundo o Ministério de Minas e Energia, os produtos importados representam 33% da oferta de diesel prevista para outubro.

Para reduzir os impactos sobre o abastecimento e os custos internos, o governo federal elevou a subvenção ao diesel importado elegível de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro.

O aumento de R$ 1,40 por litro deverá gerar uma despesa adicional estimada em R$ 1,6 bilhão ao longo de 30 dias, conforme estimativa do ministro do Planejamento, Bruno Moretti.

A medida busca conter parte da pressão sobre os combustíveis, cujo encarecimento pode afetar o transporte de cargas, os preços dos alimentos e o funcionamento de diferentes setores da economia.

Receitas do petróleo não compensam automaticamente os gastos

A alta das cotações também precisa ser analisada sob a perspectiva das receitas públicas provenientes da exploração de petróleo.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou R$ 11,83 bilhões em participações especiais relacionadas à produção do segundo trimestre, com distribuição entre União, estados e municípios.

Entretanto, esse valor não representa diretamente o ganho fiscal provocado pela recente elevação dos preços internacionais. As receitas decorrentes da exploração e as despesas com subsídios possuem origens, destinações e prazos diferentes.

Por isso, não é possível concluir, apenas com esses números, que o aumento da arrecadação compensará os gastos adicionais com a subvenção ao diesel.

Países adotam medidas para conter os impactos

O Brasil não é o único país a adotar medidas para reduzir os efeitos da alta dos combustíveis sobre consumidores e empresas.

Na Alemanha, o governo reduziu temporariamente os impostos sobre combustíveis em aproximadamente € 0,17 por litro, com alívio estimado em € 2,5 bilhões. A Espanha também prorrogou medidas de redução tributária.

As iniciativas apresentam diferenças na forma de implementação, mas demonstram como governos procuram amortecer os efeitos de choques excepcionais nos preços da energia.

Ao mesmo tempo, essas medidas levantam questões sobre o uso de recursos públicos e a compatibilidade dos incentivos aos combustíveis fósseis com as metas de redução das emissões de gases de efeito estufa.

O desafio está em equilibrar a proteção imediata da economia com políticas de longo prazo que reduzam a dependência de fontes de energia sujeitas a crises internacionais.

Biocombustíveis ganham importância no Brasil

A ampliação dos biocombustíveis aparece como uma das alternativas para diminuir a exposição brasileira às oscilações do mercado internacional.

Atualmente, a gasolina comercializada no país contém 30% de etanol anidro, enquanto o diesel possui mistura de 15% de biodiesel, conforme os percentuais mencionados no cenário apresentado.

O avanço para a mistura B16, que prevê 16% de biodiesel no diesel, depende de avaliação técnica e das condições estabelecidas no cronograma da Lei do Combustível do Futuro.

Além da ampliação dos percentuais, o desenvolvimento do setor exige investimentos em capacidade produtiva, infraestrutura de distribuição e segurança regulatória para estimular novos projetos.

Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu elevar de 7% para 10% o limite de biodiesel convencional. A proposta, entretanto, ainda depende de aprovação.

Dependência energética continua sendo um desafio

Caso o petróleo permaneça próximo de US$ 110 por barril por um período prolongado, os impactos poderão ir além dos gastos emergenciais com subsídios.

A pressão sobre os combustíveis pode atingir o transporte, a logística, a produção agrícola e os preços de produtos consumidos diariamente pela população.

Nesse contexto, medidas temporárias podem ajudar a reduzir os efeitos imediatos da crise, mas não substituem estratégias estruturais para diversificar a matriz energética.

Para o Brasil, ampliar a produção e o uso de biocombustíveis, investir em infraestrutura e garantir previsibilidade regulatória são caminhos para reduzir a vulnerabilidade a choques externos.

A crise internacional reforça, assim, a importância de conciliar ações emergenciais para proteger a economia com investimentos de longo prazo em alternativas energéticas.

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