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NOTÍCIAGoverno monitora possíveis ações dos EUA sobre eleições brasileiras

Governo monitora possíveis ações dos EUA sobre eleições brasileiras

Avaliação do governo aponta quatro frentes de possível influência externa, enquanto relatório da Abin classifica risco de interferência americana como “nível de criticidade”

🕒 Publicado em 23/09/2026 às 10:00

O governo brasileiro avalia que a pressão dos Estados Unidos sobre o processo eleitoral de 2026 pode aumentar até o segundo turno. Segundo análise divulgada pela CNN Brasil, autoridades brasileiras acompanham quatro possíveis frentes de atuação: manifestações políticas de Donald Trump e do secretário de Estado americano, Marco Rubio; movimentação de perfis nas redes sociais; suspeitas de financiamento estrangeiro; e contatos de autoridades americanas com influenciadores brasileiros.

A avaliação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington e à aproximação pública do governo Trump com setores da direita brasileira. O tema também ganhou destaque depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que não aceita interferência externa nas eleições brasileiras.

Pressão política de Trump e Rubio

Uma das possibilidades acompanhadas pelo governo é a manifestação direta de autoridades americanas em favor de determinados candidatos brasileiros.

A análise divulgada pela CNN cita como referência episódios recentes em outros países latino-americanos, nos quais Trump declarou apoio público a candidatos de direita. O governo brasileiro avalia que uma estratégia semelhante poderia ser utilizada durante a eleição brasileira.

Até o momento, porém, é necessário diferenciar manifestações públicas de apoio político de uma operação formal de interferência eleitoral. A existência de declarações favoráveis a determinado candidato, por si só, não comprova uma ação coordenada para alterar o resultado de uma eleição.

Redes sociais

Outra frente monitorada envolve a possibilidade de impulsionamento de conteúdos políticos a partir do exterior.

Segundo a apuração da CNN, setores do governo e campanhas adversárias de Flávio Bolsonaro levantaram suspeitas sobre uma eventual operação de divulgação paga de conteúdos favoráveis ao candidato. A campanha de Flávio nega que esteja recebendo impulsionamento estrangeiro.

O assunto ganhou dimensão institucional depois que o Tribunal Superior Eleitoral abriu investigação sobre uma rede de publicações no Instagram associada a conteúdos eleitorais ligados a Flávio Bolsonaro. Segundo a Folha, o TSE determinou a preservação e o fornecimento de dados de contas envolvidas para apurar possível uso irregular da ferramenta de colaboração da plataforma.

A investigação eleitoral, contudo, não estabelece que os recursos ou a operação tenham origem nos Estados Unidos.

Suspeita de financiamento estrangeiro

Também está sob discussão uma denúncia relacionada ao fundo de investimentos RockBridge Network. A suspeita foi levantada publicamente pelo candidato Renan Santos e posteriormente levada ao Supremo Tribunal Federal pelo PT.

A acusação sustenta que o fundo teria relação com o financiamento da candidatura de Flávio Bolsonaro. A legislação brasileira proíbe doações de origem estrangeira para campanhas eleitorais.

Até o momento, a acusação deve ser tratada como uma suspeita submetida às autoridades, e não como fato comprovado. A campanha de Flávio Bolsonaro também nega irregularidades relacionadas a financiamento ou impulsionamento estrangeiro.

Contatos com influenciadores

A quarta frente envolve encontros de autoridades americanas com influenciadores brasileiros ligados à direita.

Segundo a avaliação apresentada pelo governo, essas reuniões poderiam representar uma tentativa de apresentar posições de Washington sobre questões relacionadas ao ambiente digital, liberdade de expressão e política brasileira.

O tema oficial dos encontros, entretanto, não significa automaticamente que tenha ocorrido uma ação de interferência eleitoral. Para estabelecer essa relação seria necessária comprovação de finalidade, coordenação e atuação destinada especificamente a influenciar o processo eleitoral.

Relatório da Abin

A discussão ganhou peso após um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado no fim de agosto à Presidência da República, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo informações divulgadas pela Folha e confirmadas por outros veículos, o documento classificou como “nível de criticidade” o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A Abin apontou ainda uma tendência de aumento da pressão americana sobre o Brasil.

O relatório relaciona essa pressão à estratégia americana de reduzir a influência de potências rivais na América Latina, especialmente em áreas consideradas estratégicas, como recursos naturais, infraestrutura e ativos econômicos.

A avaliação da inteligência brasileira também considera a disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. Nesse contexto, o Brasil é visto como um país relevante por sua dimensão econômica, disponibilidade de recursos naturais e relação comercial com Pequim.

Lula fala em soberania eleitoral

O tema foi levado pelo presidente Lula à Assembleia Geral das Nações Unidas. Em seu discurso, nesta terça-feira (22), ele alertou contra interferências externas nos processos eleitorais e defendeu a soberania brasileira.

Sem citar diretamente Trump em todos os momentos, Lula criticou ações externas que, segundo ele, poderiam interferir na política brasileira e afirmou que o país deve conduzir internamente suas decisões sobre segurança e organização eleitoral.

O governo americano, por sua vez, não apresentou publicamente evidências de uma operação destinada a interferir diretamente na votação brasileira.

Assim, o cenário atualmente reúne ações e declarações públicas já documentadas, avaliações de órgãos brasileiros de inteligência e suspeitas que ainda dependem de investigação. A eventual existência de uma operação coordenada de interferência estrangeira nas eleições dependerá da comprovação dos fatos pelas autoridades competentes.

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