Os Estados Unidos estão enviando uma nova rotação de tropas para a Lituânia, segundo anunciou nesta terça-feira (22) o presidente lituano, Gitanas Nauseda. O novo deslocamento ocorre em um momento de atenção ampliada sobre a segurança no flanco leste da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Em uma publicação nas redes sociais, Nauseda afirmou que o contingente americano já está a caminho da Lituânia. O presidente agradeceu ao governo dos Estados Unidos e destacou a importância da presença militar americana para a defesa do país e da região.
A Lituânia integra a Otan desde 2004 e ocupa uma posição estratégica no extremo leste da aliança. O país faz fronteira com a Belarus, aliada da Rússia, e com Kaliningrado, território russo localizado às margens do Mar Báltico.
De acordo com Nauseda, a presença militar dos Estados Unidos é considerada parte importante da estratégia de dissuasão e da defesa coletiva da aliança.
Movimentação ocorre após incidente com drone
A chegada do novo contingente acontece poucos dias depois de um incidente envolvendo um drone no espaço aéreo lituano.
Em 15 de setembro, um caça italiano que participava da missão de policiamento aéreo da Otan no Báltico derrubou um drone que havia entrado no espaço aéreo da Lituânia. Segundo as autoridades locais, a aeronave provavelmente entrou pelo território de Belarus e foi abatida nas proximidades de Pratkunai, perto de Kaunas. A origem do drone ainda não havia sido determinada.
O episódio aumentou a atenção sobre possíveis violações do espaço aéreo de países membros da Otan em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia.
A região do Báltico tem registrado outros episódios envolvendo drones que saíram de suas trajetórias durante operações relacionadas ao conflito. Autoridades ucranianas já atribuíram alguns desses casos à interferência russa por meio de guerra eletrônica, embora as circunstâncias variem de acordo com cada ocorrência.
Ucrânia busca ampliar apoio militar e diplomático
Enquanto a Otan reforça a atenção sobre sua fronteira oriental, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, está em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas e manter reuniões com autoridades internacionais.
Zelensky afirmou que pretende apresentar propostas relacionadas à segurança e à redução da escalada do conflito. Entre os temas está a busca por reforço da defesa aérea ucraniana e por recursos para enfrentar o próximo inverno.
O presidente também anunciou que um novo acordo relacionado a drones está preparado para ser assinado durante sua passagem pelos Estados Unidos.
Zelensky e Macron discutem defesa aérea
Em Nova York, Zelensky se reuniu nesta terça-feira com o presidente francês, Emmanuel Macron. Os dois discutiram um pacote de apoio à Ucrânia para o inverno e medidas destinadas a ampliar a proteção do território ucraniano.
Segundo o governo ucraniano, os países trabalham para viabilizar sistemas adicionais de defesa aérea SAMP/T e seus respectivos mísseis, utilizando recursos disponíveis por meio de um empréstimo da União Europeia. Também está em discussão a possibilidade de ampliar a produção desses equipamentos na própria Ucrânia.
A França também anunciou medidas para reforçar a defesa aérea ucraniana, incluindo equipamentos de radar e interceptadores.
Tensão permanece no flanco leste da Otan
A movimentação militar americana na Lituânia ocorre em um cenário de preocupação crescente entre países do leste europeu com os efeitos da guerra na Ucrânia.
A Lituânia, assim como Letônia e Estônia, integra a Otan e mantém cooperação militar estreita com os demais membros da aliança. A presença de tropas americanas no país faz parte das iniciativas de defesa e dissuasão adotadas pelos aliados.
Ao mesmo tempo, os países da região acompanham de perto incidentes envolvendo drones e aeronaves militares próximos ou dentro de seus espaços aéreos.
A nova rotação de tropas dos Estados Unidos, confirmada pelo governo lituano nesta terça-feira, reforça a presença militar americana no Báltico em um momento de elevada atenção sobre a segurança regional.




