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NOTÍCIAConselheiro defende supervisão humana no uso da Inteligência Artificial na administração pública

Conselheiro defende supervisão humana no uso da Inteligência Artificial na administração pública

Durante congresso internacional na Espanha, Alisson Alencar destacou que a adoção de sistemas de IA deve ser acompanhada por transparência, controle humano e proteção aos direitos fundamentais

🕒 Publicado em 10/07/2026 às 15:44

O avanço da Inteligência Artificial na administração pública foi um dos principais temas debatidos durante o Fórum Internacional de Direito – X Congresso Iberoamericano de Derechos Humanos, realizado na Universidade de Valladolid, na Espanha. No evento, o conselheiro Alisson Alencar defendeu que o uso da tecnologia pelo poder público deve ocorrer de forma responsável, com supervisão humana efetiva e mecanismos capazes de preservar os direitos fundamentais dos cidadãos.

Em sua palestra, intitulada “Supervisão Humana Significativa (HITL) em Sistemas de IA de Alto Risco na Administração Pública: Convergências e Assimetrias entre Brasil e Espanha”, o conselheiro apresentou uma análise comparativa sobre os modelos regulatórios adotados pelos dois países para disciplinar o uso da Inteligência Artificial em serviços públicos.

Segundo Alencar, a tecnologia representa uma importante ferramenta para modernizar a gestão pública e ampliar a eficiência dos serviços oferecidos à população. No entanto, ele alertou que os avanços tecnológicos não podem substituir a capacidade de decisão humana, especialmente em situações que envolvem direitos fundamentais.

Durante a apresentação, o conselheiro destacou que sistemas baseados em Inteligência Artificial já são utilizados em áreas estratégicas da administração pública, como saúde, segurança pública e justiça, auxiliando na tomada de decisões de grande impacto social.

Apesar dos benefícios, Alencar afirmou que a utilização indiscriminada de decisões automatizadas pode reproduzir vieses, aprofundar desigualdades e provocar violações de direitos caso não exista uma supervisão humana efetiva durante todas as etapas do processo.

De acordo com o palestrante, o conceito de Supervisão Humana Significativa (Human-in-the-Loop – HITL) vai além do simples acompanhamento operacional dos sistemas. Para que o controle seja realmente eficaz, o agente público deve participar desde o desenvolvimento da tecnologia até sua aplicação prática, possuindo autonomia, conhecimento técnico e autoridade para revisar, corrigir ou até interromper decisões automatizadas quando houver riscos ou inconsistências.

O conselheiro também ressaltou que a transparência, a possibilidade de auditoria e a responsabilização dos envolvidos são elementos indispensáveis para garantir o uso seguro da Inteligência Artificial no setor público.

Outro aspecto destacado foi a necessidade de preparar os servidores públicos para lidar com essa transformação tecnológica. Segundo ele, além do aperfeiçoamento da legislação, será necessário investir continuamente na qualificação dos profissionais, em auditorias independentes e no desenvolvimento de sistemas concebidos com princípios éticos, proteção de dados e respeito aos direitos fundamentais.

Ao encerrar a palestra, Alencar defendeu que a regulamentação, por si só, não é suficiente para enfrentar os desafios trazidos pela Inteligência Artificial. Para ele, o fortalecimento das instituições, a capacitação permanente dos agentes públicos e a adoção de mecanismos eficazes de supervisão são fundamentais para garantir que a tecnologia atue como instrumento de apoio à administração pública, sem substituir a responsabilidade humana na tomada de decisões.

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