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NOTÍCIACantora iraniana é condenada a 74 chibatadas após publicar apresentação sem hijab

Cantora iraniana é condenada a 74 chibatadas após publicar apresentação sem hijab

Parastoo Ahmadi também recebeu restrições profissionais e de viagem; decisão foi mantida em segunda instância e tornou-se definitiva

🕒 Publicado em 01/10/2026 às 08:46

A cantora iraniana Parastoo Ahmadi, de 29 anos, foi condenada a 74 chibatadas pela Justiça do Irã após realizar e divulgar na internet uma apresentação musical sem utilizar o hijab, véu de uso obrigatório para mulheres em espaços públicos no país.

A sentença, inicialmente determinada em primeira instância, foi mantida pela Seção 16 do Tribunal de Recurso da província de Qom, tornando a condenação definitiva, segundo informações divulgadas pela própria artista.

Além das chibatadas, Ahmadi ficará impedida durante dois anos de exercer atividades audiovisuais e de deixar o território iraniano. Outros oito músicos e integrantes da equipe envolvidos na apresentação também foram submetidos às mesmas punições.

Apresentação foi publicada na internet

O caso começou em 11 de dezembro de 2024, quando Parastoo Ahmadi publicou no YouTube uma apresentação musical com aproximadamente 27 minutos de duração.

A gravação foi realizada no histórico caravançarai de Deir Gachin, localizado na província de Qom. No vídeo, a cantora aparece com um vestido preto longo, com os ombros descobertos e sem o hijab, acompanhada por quatro músicos homens.

A publicação alcançou milhões de visualizações e chamou a atenção das autoridades iranianas.

Após a divulgação, foi aberto um processo contra a cantora e outras pessoas envolvidas na produção. O tribunal considerou que o conteúdo contrariava normas morais e religiosas vigentes no país e classificou a apresentação como “obscena”.

A defesa de Ahmadi argumentou que a gravação fazia parte de uma manifestação artística e que não havia intenção criminosa.

Recurso não alterou a condenação

A primeira decisão judicial foi emitida em junho de 2026. A defesa recorreu da sentença, mas o Tribunal de Recurso de Qom rejeitou os argumentos apresentados e manteve integralmente as punições.

Com a decisão em segunda instância, a sentença passou a ser definitiva.

O caso envolve não apenas a ausência do hijab, mas também outras restrições existentes no Irã relacionadas à participação de mulheres em apresentações musicais diante de públicos mistos.

A acusação contra Ahmadi também levou em consideração a divulgação da apresentação pela internet e a presença de músicos homens na gravação.

Cantora já havia se destacado durante protestos

Parastoo Ahmadi ganhou maior visibilidade durante os protestos que tomaram o Irã em 2022, após a morte de Mahsa Amini, jovem detida pelas autoridades em um episódio relacionado às regras de uso do hijab.

Naquele período, Ahmadi publicou uma música associada às manifestações, ampliando sua projeção no país.

A nova condenação provocou manifestações de artistas e organizações internacionais de direitos humanos.

A Anistia Internacional classificou a aplicação de chibatadas como uma punição cruel, desumana e degradante.

Até o momento, não havia uma data pública definida para a execução da sentença de 74 chibatadas.

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