Lançado em 1976, o filme A Profecia completou 50 anos em 2026 e continua entre as produções mais conhecidas do cinema de terror. Dirigido por Richard Donner (1930–2021), o longa conquistou o público com a história de Damien Thorn, uma criança cercada por acontecimentos sinistros e associada à figura do Anticristo.
Fora das telas, porém, a produção também ficou marcada por relatos de acidentes e situações consideradas assustadoras por integrantes da equipe. Ao longo dos anos, esses episódios contribuíram para a reputação de que o filme seria “amaldiçoado”.
Entre as histórias mais comentadas estão incidentes envolvendo aviões, uma tragédia durante as gravações de outra produção, ataques de animais e atentados a bomba. Embora os acontecimentos tenham alimentado o imaginário em torno do longa, não há comprovação de que tenham qualquer relação sobrenatural com o filme.
Escolha do ator mirim surpreendeu o diretor
Harvey Spencer Stephens foi escolhido entre aproximadamente 500 crianças para interpretar Damien Thorn. Na época, o ator tinha apenas cinco anos e precisava transmitir a personalidade inquietante do personagem.
Segundo relatos sobre a seleção, Richard Donner decidiu escolhê-lo depois de uma situação inesperada durante os testes. O menino teria avançado contra o diretor com chutes e socos, mesmo depois de ouvir a ordem para interromper a ação.
A reação teria convencido Donner de que Stephens possuía o comportamento necessário para o papel. O diretor também determinou que o cabelo da criança fosse tingido de preto.
Após participar de outros trabalhos na televisão, Stephens deixou a carreira artística e passou a atuar no mercado financeiro britânico. Em 2021, segundo a BBC, ele foi condenado por agredir dois ciclistas em Toys Hill, na Inglaterra.
Aviões atingidos por raios durante a produção
Um dos relatos mais conhecidos envolvendo os bastidores de A Profecia diz respeito a incidentes com aeronaves utilizadas por integrantes da produção.
Dias antes do início das filmagens, o avião que transportava o ator Gregory Peck (1916–2003) para Londres teria sido atingido por um raio. Algumas semanas depois, uma situação semelhante teria ocorrido com a aeronave que levava o produtor Mace Neufeld (1928–2022).
O roteirista David Seltzer também teria passado por um episódio semelhante durante o período de produção. As ocorrências foram lembradas posteriormente como parte das histórias que ajudaram a consolidar a fama de filme amaldiçoado.
Acidente aéreo terminou em tragédia
Outro episódio frequentemente associado à produção envolveu a contratação de uma aeronave para realizar imagens aéreas que seriam utilizadas no longa.
De acordo com os relatos, a reserva foi cancelada de última hora porque o avião acabou sendo destinado a outro grupo. Pouco depois, a aeronave caiu sobre uma estrada e atingiu um carro.
O acidente matou as pessoas que estavam no avião e os familiares do piloto que ocupavam o veículo atingido. A tragédia passou a integrar a lista de acontecimentos lembrados quando se fala na suposta maldição do filme.
Acidente envolvendo profissional de efeitos especiais
John Richardson, supervisor de efeitos especiais de A Profecia, foi responsável pelo desenvolvimento de uma das cenas mais lembradas do longa: a sequência em que o fotógrafo Keith Jennings é decapitado por uma chapa de vidro.
Meses após o lançamento do filme, Richardson sofreu um acidente de carro enquanto trabalhava na produção de Uma Ponte Longe Demais, na Holanda. Sua assistente e namorada, Liz Moore, morreu no acidente, em circunstâncias que foram posteriormente comparadas à cena criada para o terror.
Outro detalhe que ganhou notoriedade nos relatos foi uma placa de sinalização indicando a distância de 66,6 quilômetros até a cidade de Ommen. A coincidência foi associada ao número 666, tradicionalmente relacionado à figura da besta na simbologia cristã.
A semelhança entre os acontecimentos reais e os elementos do filme contribuiu para alimentar as histórias sombrias sobre os bastidores da produção.
Atentados a bomba assustaram integrantes da equipe
As filmagens ocorreram no Reino Unido durante um período de conflitos envolvendo o Exército Republicano Irlandês (IRA).
Segundo relatos, o produtor Mace Neufeld quase foi a um restaurante que acabou destruído por uma bomba pouco antes de sua chegada. O hotel em que Richard Donner estava hospedado também teria sido atingido por uma explosão em um momento em que o diretor não se encontrava no local.
Os episódios ampliaram a lista de situações perigosas enfrentadas por integrantes da produção durante aquele período.
Ataques de animais durante as gravações
As cenas envolvendo animais também aparecem entre as histórias mais perturbadoras relacionadas ao longa.
Na sequência em que babuínos atacam o carro da família Thorn, os animais teriam reagido de maneira agressiva de verdade, provocando medo na atriz Lee Remick (1935–1991) e nos integrantes da equipe.
Outro relato afirma que um treinador de animais que trabalhou na produção morreu após ser atacado por um felino no parque em que atuava.
Além disso, os rottweilers utilizados em uma cena ambientada em um cemitério teriam se voltado contra seus próprios treinadores, ferindo gravemente um dublê.
Esses episódios reforçaram a percepção de que a produção enfrentou uma sequência incomum de situações perigosas.
Luto de Gregory Peck influenciou a decisão de atuar
Antes de aceitar o papel de Robert Thorn, o ator Gregory Peck havia perdido o filho mais velho, Jonathan Peck, que morreu por suicídio.
O ator teria encontrado no trabalho uma maneira de lidar com o luto e enfrentar um período doloroso de sua vida. No filme, seu personagem tenta proteger o filho diante de acontecimentos ameaçadores, um aspecto da história que ganhou significado especial diante da tragédia pessoal vivida pelo intérprete.
A coincidência entre a experiência de Peck e o tema central do longa também passou a integrar as histórias contadas sobre a produção.
Maldição ou coincidências transformadas em lenda?
O sucesso de A Profecia não se limitou à bilheteria. Os relatos sobre os bastidores ajudaram a construir uma imagem de mistério em torno da obra e se tornaram parte da história do filme.
Acidentes, tragédias e episódios relacionados ao contexto político da época podem ter contribuído para a reputação de produção amaldiçoada. A divulgação dessas histórias também ofereceu material para campanhas promocionais que exploravam o medo e a curiosidade do público.
Documentários como The Omen Legacy (2001) e The Curse of ‘The Omen’ (2005), além da série Cursed Films (2020), abordaram relatos e controvérsias envolvendo o longa e outras produções cercadas por histórias semelhantes.
Cinco décadas após sua estreia, A Profecia permanece lembrado tanto pelo impacto no gênero de terror quanto pelas histórias macabras que cercam sua produção. Se os episódios foram coincidências ou acontecimentos posteriormente associados à fama do filme, a suposta maldição continua fazendo parte do fascínio que a obra exerce sobre o público.




