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NOTÍCIAEstudo identifica afundamento do solo em 465 cidades ao redor do mundo

Estudo identifica afundamento do solo em 465 cidades ao redor do mundo

Pesquisa publicada na revista Nature analisou dados de 2014 a 2023 e identificou regiões com diferentes velocidades de afundamento; extração de água subterrânea e fatores naturais estão entre as causas

🕒 Publicado em 13/10/2026 às 07:45

O solo de centenas de cidades ao redor do mundo está passando por mudanças de elevação que podem representar riscos para a infraestrutura urbana e o planejamento das áreas habitadas. Um estudo publicado na revista científica Nature analisou 465 cidades e utilizou dados de satélite coletados entre 2014 e 2023 para investigar a dimensão desse fenômeno e os fatores associados às alterações na superfície terrestre.

A pesquisa utilizou dados de radar orbital obtidos por meio da técnica conhecida como InSAR, que permite monitorar deformações do terreno com elevada precisão. Os resultados revelaram diferenças significativas entre as cidades analisadas, com locais que apresentam movimentações relativamente pequenas e outros que registram afundamento acelerado.

Entre os casos identificados, a Cidade do México apresenta algumas das taxas mais elevadas. Em determinadas áreas, o terreno afunda aproximadamente 217 milímetros por ano, o equivalente a 21,7 centímetros. Considerando a cidade como um todo, a taxa mediana de subsidência é de cerca de 8 milímetros anuais.

Cidade do México registra afundamento expressivo

A Cidade do México está entre os locais que mais chamam a atenção pelos índices de afundamento do solo. O fenômeno, conhecido cientificamente como subsidência, ocorre quando a superfície terrestre sofre um rebaixamento gradual ou acelerado em decorrência de alterações nas camadas subterrâneas.

Entre os fatores associados ao problema estão a retirada excessiva de água dos aquíferos, o peso das construções e das estruturas urbanas e a exploração de recursos naturais, como minerais e gases.

A extração de água subterrânea merece atenção especial porque pode provocar a compactação de camadas do solo. Quando grandes volumes de água são retirados dos aquíferos, determinados sedimentos perdem sustentação e podem sofrer compressão, provocando o rebaixamento da superfície.

Dependendo da intensidade e da duração do processo, os efeitos podem comprometer edificações, redes de abastecimento, sistemas de drenagem e outras estruturas urbanas.

Fatores naturais também contribuem para o problema

Embora as atividades humanas tenham papel importante em diversas regiões, o afundamento do solo também pode ocorrer por processos naturais.

A compactação de sedimentos, por exemplo, é comum em áreas formadas por depósitos de rios, deltas e planícies aluviais, além de determinadas regiões costeiras. Nesses ambientes, os materiais que compõem o subsolo podem se acomodar gradualmente, provocando alterações na altitude do terreno.

As condições climáticas também podem influenciar o processo. Períodos prolongados de seca reduzem a disponibilidade de água na superfície e podem aumentar a dependência de fontes subterrâneas para abastecimento urbano, agrícola e industrial.

Quando a retirada de água aumenta de maneira significativa, a pressão sobre os aquíferos pode se intensificar, favorecendo a compactação do solo em áreas suscetíveis.

A combinação entre características geológicas, condições ambientais e intervenções humanas faz com que a velocidade e a intensidade do fenômeno variem de uma cidade para outra.

Grandes cidades apresentam diferentes padrões de movimentação

O levantamento também identificou cidades nas quais as taxas de movimentação vertical do terreno permaneceram relativamente estáveis durante o período analisado.

Entre elas estão Boston, Nova York, Londres, Pequim, Tóquio, Seul, Sydney, Montevidéu e Nápoles. Nessas localidades, as taxas estimadas de afundamento ou elevação variaram de aproximadamente 0,1 a 1,9 milímetro por ano.

Os resultados demonstram que as alterações na superfície terrestre não ocorrem de maneira uniforme. Enquanto algumas regiões apresentam mudanças discretas, outras enfrentam processos de subsidência que exigem acompanhamento contínuo.

O monitoramento por satélite permite identificar essas diferenças e acompanhar a evolução do terreno ao longo do tempo, oferecendo informações importantes para pesquisadores, gestores públicos e responsáveis pelo planejamento urbano.

Falta de dados dificulta a prevenção de riscos

Antes desse levantamento, estudos sobre o afundamento do solo frequentemente utilizavam períodos de observação, metodologias e conjuntos de cidades diferentes. Essa diversidade dificultava a comparação dos resultados em escala global e limitava a compreensão da distribuição do fenômeno.

A ampliação do número de cidades analisadas ajuda a preencher parte dessa lacuna, permitindo identificar padrões e diferenças entre regiões com características geológicas e urbanas distintas.

Ainda assim, compreender as causas específicas da subsidência em cada local continua sendo um desafio. A identificação das áreas mais vulneráveis depende da combinação de dados de satélite com informações sobre o subsolo, a exploração de água subterrânea, as condições climáticas e a ocupação urbana.

A falta de informações detalhadas pode dificultar a elaboração de políticas públicas voltadas à prevenção de danos e à proteção das populações que vivem em áreas de maior risco.

Monitoramento é importante para o planejamento urbano

O acompanhamento contínuo das mudanças no terreno pode contribuir para a identificação antecipada de áreas suscetíveis ao afundamento e orientar decisões sobre infraestrutura, abastecimento de água e ocupação do solo.

Em regiões onde a retirada de água subterrânea representa um dos principais fatores associados à subsidência, medidas de gestão dos aquíferos podem ajudar a reduzir a pressão sobre o subsolo. Em outras localidades, a análise das características geológicas e dos processos naturais é fundamental para compreender os riscos existentes.

O estudo reforça a importância de ampliar o monitoramento e a produção de dados comparáveis sobre o fenômeno. Com informações mais completas, governos e especialistas podem aprimorar o planejamento urbano e desenvolver estratégias adequadas às particularidades de cada região.

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