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Cristiano Ronaldo acumula episódios de tensão com técnicos de Portugal ao longo da carreira

Dos seis treinadores que comandaram o atacante na seleção, apenas Luiz Felipe Scolari e Roberto Martínez tiveram despedidas sem registros de conflitos públicos

🕒 Publicado em 01/10/2026 às 08:35

A trajetória de Cristiano Ronaldo pela seleção portuguesa é marcada por títulos, recordes e protagonismo, mas também por relações conturbadas com alguns dos treinadores que passaram pelo comando da equipe.

Ao longo da carreira internacional, o atacante trabalhou com seis técnicos. Segundo o histórico apresentado, apenas Luiz Felipe Scolari e Roberto Martínez não tiveram um encerramento de ciclo marcado por algum tipo de desgaste com o jogador.

Os episódios, porém, ocorreram em contextos diferentes. Carlos Queiroz e Paulo Bento, por exemplo, permaneceram no cargo após as respectivas Copas do Mundo, mas deixaram a seleção pouco depois, já no início das Eliminatórias seguintes. Em ambas as situações, Cristiano Ronaldo não participou das primeiras partidas e alegou problemas físicos.

Com Fernando Santos, a saída aconteceu após a Copa do Mundo de 2022, em meio ao desgaste provocado pela perda de espaço de Ronaldo na equipe. Já com Jorge Jesus, o episódio ocorreu de maneira distinta: o treinador permaneceu no cargo, enquanto Cristiano Ronaldo deixou a concentração.

Carlos Queiroz — “Assim não, Carlos”

A relação entre Cristiano Ronaldo e Carlos Queiroz começou de maneira próxima. O treinador havia sido auxiliar de Alex Ferguson no Manchester United e acompanhou de perto o desenvolvimento do atacante.

Queiroz chegou a considerar Ronaldo um projeto pessoal de evolução dentro do futebol e relatou uma conversa que teve com o jogador depois de um treinamento abaixo do esperado.

Segundo o técnico, ele disse ao atacante que acreditava em seu potencial para se tornar o melhor jogador do mundo, mas que isso exigiria dedicação e trabalho.

Anos depois, a relação terminaria de maneira bastante diferente.

Durante a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, Queiroz defendeu Ronaldo em um período no qual o atacante era cobrado pelo baixo número de gols. Portugal acabou eliminado pela Espanha nas oitavas de final, e Ronaldo terminou a competição com apenas um gol.

Durante a partida, o treinador decidiu substituir Hugo Almeida por Danny. A alteração não agradou ao capitão português.

“Assim não ganhamos, Carlos”, teria dito Ronaldo.

Portugal acabou derrotado, e, após a partida, quando questionado sobre as razões da eliminação, o jogador respondeu: “Fale com o Carlos Queiroz”.

Na sequência, começaram as Eliminatórias para a Euro 2012. Ronaldo foi convocado, mas não participou do empate contra o Chipre nem da derrota para a Dinamarca, alegando problemas físicos.

Depois das duas partidas, Queiroz foi demitido. Paulo Bento assumiu o comando e Ronaldo voltou à seleção.

O relacionamento entre os dois, porém, não foi retomado. O texto relata que eles sequer se cumprimentaram quando se encontraram durante a Copa do Mundo de 2018.

Paulo Bento — desgaste depois da Copa de 2014

A relação entre Paulo Bento e Cristiano Ronaldo teve um começo positivo. O treinador conseguiu explorar as características do atacante, que respondeu com atuações decisivas.

Na Euro 2012, Ronaldo marcou três gols e ajudou Portugal a chegar às semifinais. Nas Eliminatórias para a Copa de 2014, voltou a ser protagonista, principalmente no confronto contra a Suécia pelos playoffs, quando marcou os três gols da vitória portuguesa fora de casa.

A participação no Mundial do Brasil, entretanto, foi decepcionante para Portugal.

A seleção foi eliminada ainda na fase de grupos, depois de enfrentar Alemanha, Estados Unidos e Gana. Ronaldo marcou apenas uma vez durante a competição.

O período também aumentou as discussões sobre as escolhas de Paulo Bento e sobre a necessidade de renovação da equipe. Outro ponto de divergência envolvia a posição de Ronaldo em campo.

O jogador não queria atuar como centroavante fixo. Sua preferência era ocupar uma das pontas e ter liberdade para se aproximar da área.

Ronaldo fica fora do primeiro jogo após a Copa

Depois do Mundial de 2014, Portugal iniciou as Eliminatórias para a Euro 2016 contra a Albânia. Cristiano Ronaldo não participou da partida, que terminou com derrota portuguesa em casa.

O atacante havia atuado pelo Real Madrid no fim de semana anterior e começou a treinar com bola dois dias depois do jogo. O técnico Carlo Ancelotti afirmou que Ronaldo não tinha uma lesão, mas apenas queixas físicas.

A ausência alimentou especulações sobre o motivo de o jogador não ter entrado em campo.

Após a derrota para a Albânia, Paulo Bento foi demitido. Questionado sobre a possibilidade de Ronaldo ter influenciado a decisão da Federação Portuguesa de Futebol, o treinador afirmou que não acreditava que um jogador pudesse interferir dessa maneira nas decisões da direção.

Bento também declarou que, em uma estrutura hierárquica, uma situação desse tipo representaria uma inversão de papéis.

Fernando Santos: anos de elogios e a ruptura após 2022

A relação entre Cristiano Ronaldo e Fernando Santos foi, durante muito tempo, marcada por declarações públicas de admiração.

A parceria ganhou força especialmente depois da conquista da Euro 2016, quando Portugal derrotou a França na decisão. Ronaldo frequentemente elogiava o treinador e destacava sua capacidade de trabalhar com o grupo.

Santos também mantinha uma posição clara em relação ao atacante. Em entrevistas e coletivas, costumava afirmar que Ronaldo era o melhor jogador do mundo e tinha presença garantida entre os titulares.

Esse cenário mudou na Copa do Mundo de 2022, no Catar.

Durante a competição, Fernando Santos passou a utilizar Ronaldo como reserva em determinados momentos. O atacante chegou a ser substituído e demonstrou insatisfação.

Em determinado episódio, Ronaldo reagiu durante a partida e, posteriormente, perdeu espaço entre os titulares.

Portugal acabou eliminado por Marrocos nas quartas de final. Após a derrota, Ronaldo deixou o campo emocionado e foi para o vestiário.

O episódio também provocou manifestações públicas de Georgina Rodríguez, companheira do jogador, que criticou a decisão de deixar Ronaldo no banco.

Depois da eliminação, Fernando Santos chegou a um acordo para rescindir seu contrato com a Federação Portuguesa de Futebol.

Roberto Martínez assumiu o comando da seleção. Ronaldo, que durante anos havia feito diversos elogios a Fernando Santos, não publicou uma mensagem de despedida ao treinador após sua saída.

Jorge Jesus: uma passagem curta e um novo desentendimento

O episódio mais recente citado no histórico envolve Jorge Jesus, treinador que já conhecia Cristiano Ronaldo de sua passagem pelo futebol saudita.

Antes da chegada à seleção, os dois haviam trocado elogios. Jesus chegou a definir Ronaldo como um símbolo de Portugal e da seleção.

O início da passagem, entretanto, foi marcado por uma situação envolvendo a utilização do atacante.

Ronaldo ficou no banco em uma partida e passou bastante tempo se aquecendo sem entrar em campo. O jogador teria demonstrado insatisfação com a situação.

Posteriormente, não participou do primeiro treino no gramado e deixou o estádio para retornar ao hotel.

Questionado sobre o episódio, Jorge Jesus afirmou que não havia um conflito pessoal entre os dois. O treinador explicou que suas decisões estavam relacionadas ao planejamento da equipe e reforçou que as regras deveriam ser iguais para todos os jogadores.

Jesus também declarou que, dentro da equipe, a decisão sobre a escalação cabia ao treinador.

A declaração não foi bem recebida por Ronaldo. Após a entrevista, o atacante decidiu deixar o estádio e a concentração da seleção portuguesa.

Mais tarde, o próprio jogador confirmou a decisão em uma publicação nas redes sociais, afirmando que havia conversado com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol antes de deixar o estágio da seleção.

Seis técnicos, diferentes finais

A passagem de Cristiano Ronaldo pela seleção portuguesa reúne diferentes relações com os treinadores que comandaram a equipe.

Com Carlos Queiroz, o relacionamento se deteriorou após a Copa de 2010 e terminou depois da saída do treinador.

Com Paulo Bento, o início foi positivo, mas o cenário mudou após a Copa de 2014, culminando na demissão do técnico.

Com Fernando Santos, a parceria foi marcada durante anos por elogios e pela conquista da Euro 2016, mas terminou após o desgaste provocado pela utilização de Ronaldo na Copa de 2022.

Já com Jorge Jesus, o episódio ocorreu pouco tempo depois da chegada do treinador e terminou com a saída de Cristiano Ronaldo da concentração.

Por outro lado, Luiz Felipe Scolari e Roberto Martínez aparecem como os dois treinadores com quem, segundo o histórico apresentado, o encerramento da relação não foi marcado por conflitos semelhantes.

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