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MPMT recomenda medidas para proteger moradores de áreas próximas a lavouras em Tapurah

Orientação ocorre com o início da safra 2026/2027 e estabelece cuidados para aplicação de agrotóxicos perto de residências e áreas urbanas

🕒 Publicado em 23/09/2026 às 13:37

Com a chegada da safra de soja 2026/2027 e o fim do período de vazio sanitário, produtores rurais de Tapurah devem adotar cuidados específicos ao cultivar áreas próximas ao perímetro urbano. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio da 1ª Promotoria de Justiça do município, expediu uma recomendação com orientações destinadas a proprietários, possuidores, arrendatários e produtores rurais.

A iniciativa tem caráter preventivo e busca garantir o cumprimento das normas relacionadas à aplicação de agrotóxicos, conciliando a produção agrícola com a proteção da saúde e do bem-estar da população.

De acordo com a recomendação, a legislação estadual estabelece uma distância mínima de 90 metros para a aplicação terrestre mecanizada de agrotóxicos em relação a bairros, residências, unidades de saúde, escolas, mananciais de captação de água e nascentes.

Para aplicações aéreas, a legislação federal prevê afastamento mínimo de 500 metros de áreas povoadas e de mananciais destinados ao abastecimento público.

Levantamento identificou lavouras próximas a residências

A atuação do Ministério Público ocorreu após um levantamento técnico realizado pelo Centro de Apoio Técnico à Execução Ambiental (CAEx Ambiental). O estudo identificou propriedades rurais com cultivos instalados a distâncias reduzidas de áreas urbanizadas.

Das sete propriedades analisadas, seis apresentavam lavouras situadas entre 1,99 metro e 58,79 metros de residências e de uma unidade de saúde.

Segundo o levantamento, a proximidade pode aumentar os riscos relacionados à deriva de defensivos agrícolas, além da dispersão de poeira durante atividades de preparo do solo e colheita.

O promotor de Justiça Marlon Pereira Rodrigues ressalta que a recomendação não pretende impedir ou restringir a produção agrícola, considerada importante para a economia local. A intenção, segundo ele, é estabelecer condições para que a atividade seja desenvolvida de maneira compatível com a proteção dos moradores.

A faixa de proteção prevista na legislação, conforme explicou o promotor, não precisa necessariamente permanecer sem utilização.

“O espaço pode ser destinado a cultivos sem aplicação mecanizada de agrotóxicos, manutenção por roçada ou implantação de cortinas vegetais, alternativas capazes de reduzir impactos e preservar a produtividade das propriedades”, destacou.

Orientações aos produtores

Entre as recomendações apresentadas pelo MPMT estão a identificação e delimitação das áreas de proteção e a adoção de técnicas capazes de reduzir a deriva dos produtos químicos.

Os produtores também deverão observar as condições climáticas durante as aplicações e adotar medidas para diminuir a emissão de poeira nas proximidades de residências.

Outra orientação é manter atualizados os cadastros das áreas cultivadas junto ao Sistema de Defesa Sanitária Vegetal (SISDEV), além da documentação ambiental dos imóveis.

Indea-MT deverá reforçar fiscalização

O Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) também recebeu a recomendação do Ministério Público.

O órgão deverá intensificar as ações de orientação e fiscalização durante o período de plantio e aplicação de defensivos agrícolas. Entre os pontos a serem verificados estão o cumprimento das distâncias mínimas estabelecidas pela legislação e a regularidade cadastral das propriedades.

Produtores rurais e o Indea-MT terão 30 dias para apresentar documentação que comprove o atendimento às orientações expedidas pela Promotoria de Justiça.

Segundo o Ministério Público, a recomendação faz parte de uma estratégia preventiva voltada à construção de soluções que permitam o desenvolvimento das atividades do agronegócio sem comprometer a saúde, a segurança e o bem-estar da população de Tapurah.

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