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NOTÍCIACuiabá realiza primeiro procedimento odontológico para criança com autismo no HPSMC

Cuiabá realiza primeiro procedimento odontológico para criança com autismo no HPSMC

Atendimento foi estruturado de forma integrada pela Saúde Bucal e pela rede hospitalar para oferecer mais segurança e acolhimento a pacientes neurodivergentes

🕒 Publicado em 01/09/2026 às 10:55

Uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi atendida pela primeira vez em um procedimento odontológico estruturado para esse perfil de paciente no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC). A ação foi realizada no sábado (29) pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), e representa um passo para a ampliação do atendimento odontológico especializado na rede pública.

O caso chegou ao serviço de saúde depois que a família procurou o Centro Médico Infantil (CMI) do Pronto-Socorro devido a uma dor de dente apresentada pela criança. Durante o atendimento, os profissionais identificaram que as características relacionadas ao TEA exigiam uma abordagem diferenciada para que o procedimento pudesse ser realizado com maior segurança e conforto.

A iniciativa foi construída de maneira conjunta pela Secretaria Adjunta de Atenção Hospitalar e Complexo Regulador e pela Secretaria Adjunta de Saúde Bucal.

Atendimento foi estruturado a partir de uma demanda da família

A necessidade apresentada pelos familiares levou a Secretaria Municipal de Saúde a mobilizar diferentes equipes para buscar uma solução adequada ao caso.

A proposta de organizar esse modelo de atendimento partiu da secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, que destacou o trabalho conjunto dos profissionais envolvidos na realização do procedimento.

Segundo a secretária, a experiência demonstra que a integração entre diferentes setores da rede municipal pode contribuir para encontrar alternativas diante de demandas específicas da população.

“Hoje foi um dia muito especial e emocionante para mim. Primeiro, porque essa ideia foi ouvida e acolhida por uma equipe que acreditou que era possível fazer diferente. Depois, porque cada profissional envolvido colocou sua competência, seu conhecimento e, principalmente, seu compromisso a serviço de uma criança que precisava de nós”, afirmou Deisi.

A secretária também ressaltou que o trabalho realizado vai além da execução do procedimento, envolvendo o acolhimento da criança e de sua família.

Por que o atendimento odontológico pode ser mais desafiador para pessoas com TEA?

Para algumas crianças com Transtorno do Espectro Autista, uma consulta odontológica pode representar uma experiência particularmente difícil.

Sons dos equipamentos, iluminação, cheiros, contato físico, diferentes texturas e a própria movimentação dentro do consultório podem causar desconforto em pacientes que apresentam maior sensibilidade sensorial.

Além disso, não saber antecipadamente o que acontecerá durante uma consulta pode aumentar a ansiedade ou dificultar a colaboração durante o procedimento.

Por esse motivo, o atendimento adaptado busca tornar o ambiente mais previsível e proporcionar maior sensação de segurança ao paciente.

Aclimatação pode ajudar na adaptação

Uma das estratégias utilizadas em atendimentos odontológicos voltados a pacientes neurodivergentes é a aclimatação ao ambiente.

Antes de um procedimento invasivo, a criança pode ser apresentada ao consultório, à cadeira odontológica, aos profissionais e aos equipamentos que serão utilizados. O objetivo é permitir que ela tenha contato gradual com a rotina do atendimento.

Também podem ser utilizadas formas de comunicação mais objetivas, explicações antecipadas sobre cada etapa e recursos visuais ou táteis, conforme as necessidades individuais do paciente.

Essas estratégias podem facilitar a compreensão da criança e reduzir o impacto causado por uma situação desconhecida.

Prevenção é fundamental

Além de atender situações que já apresentam dor ou outros problemas, a assistência odontológica preventiva tem papel importante para pacientes com TEA.

Orientações sobre higiene bucal, acompanhamento periódico e procedimentos preventivos podem ajudar a evitar o desenvolvimento de cáries e outros problemas que, quando não tratados, podem evoluir para quadros mais complexos e até situações de urgência.

A prevenção também pode diminuir a necessidade de procedimentos mais invasivos no futuro.

Quando sedação ou anestesia podem ser necessárias

Em determinadas situações, as adaptações convencionais podem não ser suficientes para que o atendimento seja realizado com segurança.

Casos de hipersensibilidade significativa, dificuldade extrema de adaptação ou procedimentos que exigem maior controle podem demandar o uso de sedação ou anestesia geral.

Essas alternativas não são utilizadas de forma automática. A necessidade deve ser avaliada individualmente pela equipe responsável, considerando as condições clínicas do paciente e o tipo de procedimento necessário.

Experiência pode ajudar a ampliar atendimento na rede

A realização do primeiro procedimento no HPSMC também poderá servir como referência para o desenvolvimento de fluxos específicos de atendimento odontológico para pacientes neurodivergentes dentro da rede municipal.

A experiência adquirida pelas equipes poderá contribuir para o aperfeiçoamento de protocolos e para a preparação dos profissionais diante de novas situações que apresentem características semelhantes.

A iniciativa também evidencia a importância da atuação integrada entre diferentes setores da saúde pública. Desde a chegada da criança ao Centro Médico Infantil, profissionais da assistência hospitalar e da Saúde Bucal trabalharam conjuntamente para avaliar o caso e encontrar uma alternativa compatível com as necessidades apresentadas.

Para a Prefeitura, o atendimento representa um avanço na busca por uma assistência mais inclusiva e preparada para atender diferentes perfis de pacientes, garantindo que crianças neurodivergentes também tenham acesso ao cuidado odontológico adequado.

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