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Caseiro é condenado a mais de 33 anos pela morte do advogado Renato Nery em Cuiabá

Tribunal do Júri reconheceu homicídio triplamente qualificado, organização criminosa e fraude processual; acusado confessou ter efetuado os disparos

🕒 Publicado em 16/07/2026 às 08:32

O primeiro julgamento relacionado ao assassinato do advogado Renato Gomes Nery terminou com uma condenação superior a três décadas de prisão. Nesta quarta-feira (15), o Tribunal do Júri de Cuiabá condenou Alex Roberto de Queiroz Silva a 33 anos e oito meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, pela execução ocorrida em julho de 2024 na capital mato-grossense.

Além da pena de prisão, o condenado deverá pagar multa e indenização equivalente a 40 salários mínimos aos familiares da vítima.

Após aproximadamente 12 horas de julgamento, os jurados reconheceram Alex Roberto como responsável por homicídio triplamente qualificado. Ele também foi condenado pelos crimes de organização criminosa e fraude processual, relacionados, segundo a acusação, ao planejamento da execução e às ações para dificultar a apuração do caso.

Réu confessou execução durante julgamento

Em depoimento prestado perante o Tribunal do Júri, Alex Roberto confessou ter sido o autor dos disparos que atingiram Renato Nery.

Segundo a versão apresentada pelo réu, ele tomou conhecimento de uma suposta oferta de R$ 200 mil para matar o advogado durante uma conversa com o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, ocorrida em um churrasco.

Alex afirmou que posteriormente foi até o escritório da vítima e aguardou sua chegada. Quando Renato Nery desembarcou do veículo, o réu efetuou os disparos e deixou o local.

Apesar de admitir a execução, o condenado sustentou durante seu depoimento que teria decidido cometer o crime por iniciativa própria após tomar conhecimento da existência da proposta financeira.

Câmeras registraram ataque contra advogado

Renato Gomes Nery foi baleado em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá, em julho de 2024.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o advogado caminhava em direção ao prédio e foi surpreendido pelos disparos. O responsável pelo ataque fugiu do local utilizando uma motocicleta.

A vítima chegou a receber atendimento médico, mas morreu no dia seguinte em consequência dos ferimentos.

Investigação aponta disputa de terras como possível motivação

De acordo com a investigação da Polícia Civil e a acusação apresentada pelo Ministério Público, o assassinato teria relação com uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras localizadas no município de Novo São Joaquim.

Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi são apontados pela acusação como supostos mandantes do homicídio, mediante um pagamento que teria sido acertado para a execução.

A investigação também atribui diferentes participações a policiais militares. Heron Teixeira Pena Vieira é acusado de atuar na intermediação da contratação do executor e na articulação do crime.

Ícaro Nathan Santos Ferreira teria, segundo as investigações, fornecido a arma utilizada no homicídio e participado de movimentações financeiras. Já Jackson Pereira Barbosa é investigado sob a suspeita de ter coordenado parte da operação e realizado pagamentos relacionados ao caso.

As responsabilidades individuais dos demais acusados ainda dependem da análise e do julgamento do Poder Judiciário.

Investigadores rastrearam movimentações financeiras

Uma das frentes da investigação envolveu a análise de movimentações bancárias após autorização judicial para quebra de sigilo. A Polícia Civil rastreou aproximadamente R$ 215 mil em operações financeiras que, segundo a apuração, teriam ligação com o assassinato.

Os investigadores apontaram que parte dos valores teria circulado por contas de terceiros e sido movimentada de forma fracionada, numa possível tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro.

Entre as operações investigadas estão uma movimentação inicial de aproximadamente R$ 200 mil, a aquisição de um veículo avaliado em cerca de R$ 115 mil em nome de terceiro, um repasse de R$ 40 mil e outras transferências entre pessoas investigadas.

Para a Polícia Civil, a movimentação apresenta indícios que também podem ser analisados sob a perspectiva de possível ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

Caso continua em relação aos demais acusados

A sentença contra Alex Roberto representa o primeiro desfecho de julgamento entre os acusados pelo assassinato de Renato Nery.

O processo, entretanto, continua em relação às demais pessoas apontadas pela acusação como participantes do planejamento, financiamento e execução do crime.

Cada acusado terá sua responsabilidade analisada individualmente pelo Poder Judiciário, com direito ao contraditório e à ampla defesa, até que haja decisão definitiva nos respectivos processos.

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