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Comunidade do Chumbo cobra melhorias em escola e acesso à água potável em Poconé

Moradores apresentaram demandas ao Ministério Público durante a segunda etapa da Travessia Pantaneira

🕒 Publicado em 16/07/2026 às 08:17

Problemas que afetam diretamente a rotina de mais de 250 famílias foram apresentados ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) durante uma visita ao Distrito de Nossa Senhora Aparecida do Chumbo, em Poconé. Reforma da escola, qualidade da água, saneamento básico, telefonia e infraestrutura estão entre as principais reivindicações dos moradores.

A escuta social ocorreu nesta quarta-feira (15) e marcou o primeiro dia da segunda etapa da Travessia Pantaneira. A iniciativa busca aproximar as instituições das comunidades tradicionais e identificar diretamente os principais desafios sociais e ambientais enfrentados pelos moradores do Pantanal.

O chefe distrital Odilei Souza Ponce destacou que uma das demandas mais urgentes é a reforma da escola que atende a comunidade. Segundo ele, os moradores aguardam uma solução há aproximadamente seis meses e já apresentaram a reivindicação à Prefeitura de Poconé e ao Governo do Estado.

Outra preocupação envolve o abastecimento de água. Os moradores pedem garantias sobre a qualidade da água consumida pelas famílias e também relatam a falta de caixas d’água em diversas residências.

Falta de telefonia dificulta atendimento em emergências

A ausência de sinal de telefonia móvel também foi apontada como um dos principais problemas enfrentados pela população do Chumbo.

Segundo a moradora Marilene de Oliveira Campos, atualmente a comunicação depende principalmente de serviços privados de internet, que nem todas as famílias conseguem contratar e que apresentam limitações de sinal.

A situação se torna ainda mais preocupante em casos de emergência. Para conseguir atendimento de serviços como Samu, Corpo de Bombeiros ou Polícia Militar, moradores precisam, em algumas situações, entrar em contato com familiares que estão na área urbana para solicitar ajuda.

Diante dessa dificuldade, a comunidade reivindica a instalação de uma torre de telefonia móvel que possa atender o distrito e também beneficiar localidades próximas.

Comunidade pede valorização da identidade quilombola

Durante a escuta social, a professora Juziane Luisa de Lima Silva, integrante da Associação das Comunidades Negras Quilombolas do Chumbo, ressaltou a importância de ampliar os investimentos em educação e preservar a história e a identidade da comunidade.

A professora defendeu políticas públicas que considerem as características e necessidades específicas da população quilombola, além de melhores condições de ensino para crianças e adolescentes.

Para os moradores, o fortalecimento da educação também é fundamental para ampliar as oportunidades das novas gerações e criar condições para que jovens possam permanecer na própria comunidade.

Ministério Público vai encaminhar demandas

A procuradora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza afirmou que as reivindicações apresentadas pelos moradores serão catalogadas e encaminhadas aos promotores responsáveis para análise e adoção das medidas consideradas necessárias.

Entre os pontos identificados como prioritários estão a infraestrutura da escola, a qualidade da água e o fortalecimento da agricultura familiar.

A preocupação também envolve a criação de condições para que as famílias continuem vivendo e trabalhando no campo, reduzindo a necessidade de os jovens deixarem suas comunidades em busca de oportunidades nos centros urbanos.

O promotor de Justiça Mario Anthero Silveira de Souza Bueno Schober, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Poconé, informou que o Ministério Público já instaurou procedimento para investigar as condições da água proveniente dos poços tubulares que abastecem a região.

A instituição também deverá acompanhar a situação da reforma da escola e fiscalizar os prazos apresentados pelo poder público para a execução das melhorias.

Município afirma que há recursos para obras

A vice-prefeita de Poconé, Camila Silva, que participou da visita, informou que o município enfrenta questões burocráticas relacionadas à execução da reforma da unidade escolar.

Segundo ela, já existem recursos destinados tanto para a recuperação da atual estrutura quanto para a construção de uma nova escola no distrito.

Travessia segue por comunidades do Pantanal

A segunda etapa da Travessia Pantaneira ocorre entre os dias 15 e 18 de julho e prevê audiências públicas, visitas comunitárias e encontros técnicos em diferentes localidades.

Além do Distrito do Chumbo, a programação inclui atividades no Pesqueiro do Beijão e em Porto Jofre.

A iniciativa é desenvolvida pelo MPMT em parceria com a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira, A Casa do Centro e a Associação dos Guardiões e Guardiãs do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Aguapan).

O objetivo é fortalecer a atuação institucional a partir do contato direto com moradores e lideranças, buscando encaminhar soluções para problemas relacionados à garantia de direitos, infraestrutura e preservação dos modos de vida das comunidades tradicionais.

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