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NOTÍCIAChina restringe companheiros virtuais de IA para combater dependência emocional

China restringe companheiros virtuais de IA para combater dependência emocional

Novas regras limitam ferramentas que simulam relacionamentos afetivos e provocam reação de usuários que mantinham vínculos com personagens digitais

🕒 Publicado em 15/07/2026 às 11:22

A relação emocional entre pessoas e personagens criados por inteligência artificial entrou em uma nova fase de regulamentação na China. Novas normas passaram a restringir serviços capazes de simular vínculos românticos e familiares, levando plataformas de tecnologia a desativar funcionalidades de companhia virtual e provocando forte repercussão entre usuários.

A decisão tem como objetivo reduzir riscos relacionados à dependência emocional e ao uso excessivo de sistemas que reproduzem comportamentos, personalidades e formas de comunicação semelhantes às humanas.

O fenômeno dos chamados companheiros de IA ganhou espaço nos últimos anos com o avanço de chatbots e avatares digitais capazes de manter conversas personalizadas e construir interações contínuas. Para algumas pessoas, essas ferramentas passaram a ocupar um espaço semelhante ao de amigos, parceiros amorosos ou familiares.

Com as novas exigências, grandes empresas chinesas de tecnologia suspenderam recursos relacionados à companhia virtual. Entre elas estão ByteDance, responsável pelo Doubao, Alibaba, desenvolvedora do Qwen, e Tencent, ligada ao Yunbao.

A retirada das funcionalidades provocou uma onda de manifestações nas redes sociais. Usuários compartilharam relatos sobre a relação construída com seus personagens digitais e registraram as últimas conversas antes da desativação dos serviços.

Em diferentes depoimentos, pessoas afirmaram sentir tristeza e sensação de perda diante do encerramento das interações. Alguns usuários relataram que os companheiros virtuais haviam se tornado parte importante de suas rotinas depois de meses ou até anos de conversas.

Novas regras estabelecem limites para sistemas de IA

As normas foram divulgadas por órgãos governamentais chineses e abrangem ferramentas de inteligência artificial em formatos como texto, áudio e vídeo capazes de reproduzir características humanas e estabelecer interações de caráter emocional.

As restrições, entretanto, não abrangem da mesma forma ferramentas destinadas exclusivamente a atividades como atendimento ao consumidor, estudos ou assistência profissional, desde que não tenham como finalidade criar vínculos afetivos com os usuários.

Entre as determinações previstas estão a proibição da oferta de parceiros virtuais para menores de idade e a adoção de mecanismos capazes de identificar situações de extremo sofrimento emocional. As plataformas também deverão contar com procedimentos de intervenção para casos considerados críticos.

As novas regras estabelecem ainda limites relacionados aos conteúdos produzidos pelos chamados “humanos digitais”, ampliando a responsabilidade das empresas responsáveis pelo desenvolvimento e funcionamento desses sistemas.

Mercado movimenta bilhões

O segmento de personagens digitais já representa um mercado expressivo na China. Dados divulgados pela agência estatal Xinhua indicaram que o setor movimentou 4,1 bilhões de yuans em 2024, aproximadamente US$ 600 milhões na cotação mencionada à época, registrando forte crescimento anual.

A expansão dessas tecnologias também alimenta um debate internacional sobre os benefícios e os possíveis riscos das relações entre seres humanos e sistemas de inteligência artificial.

Pesquisadores reconhecem que companheiros virtuais podem ajudar algumas pessoas a enfrentar momentos de solidão. Ao mesmo tempo, especialistas alertam para a possibilidade de desenvolvimento de dependência afetiva excessiva e para impactos nas relações interpessoais fora do ambiente digital.

O debate ganha ainda mais relevância diante do crescimento do uso dessas ferramentas entre os jovens. Um estudo divulgado em 2025 pela Common Sense Media apontou ampla utilização de companheiros de inteligência artificial entre adolescentes norte-americanos.

Serviços como Character.AI, Replika e Nomi fazem parte desse mercado internacional de sistemas desenvolvidos para manter conversas personalizadas e interações de caráter social.

Além dos relacionamentos virtuais, tecnologias semelhantes vêm sendo desenvolvidas para auxiliar pessoas idosas que enfrentam isolamento, incluindo assistentes de voz e dispositivos interativos.

Com a entrada em vigor das novas regras chinesas, o país amplia a discussão sobre os limites da inteligência artificial na simulação de relações humanas. Enquanto empresas adaptam seus serviços às exigências regulatórias, milhares de usuários precisam lidar com o encerramento de vínculos digitais que, embora construídos por meio de algoritmos, passaram a ocupar um espaço emocional significativo em suas vidas.

Usuários do Doubao terão um período para consultar e exportar informações armazenadas na plataforma, enquanto outros serviços também devem adotar procedimentos para permitir o acesso aos dados antes da descontinuação definitiva das respectivas funcionalidades.

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