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Operação Gerente Fantasma mira facção com atuação em tráfico, golpes digitais e lavagem de dinheiro em Cuiabá

Investigação aponta liderança criminosa operando de dentro de presídio e movimentação superior a R$ 200 mil

🕒 Publicado em 23/04/2026 às 07:33

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (23), a Operação Gerente Fantasma com o objetivo de desarticular um grupo criminoso com atuação diversificada na capital Cuiabá e região metropolitana. A ofensiva é conduzida pela Delegacia Especializada em Repressão a Narcóticos (Denarc), que cumpre 27 ordens judiciais também em Várzea Grande.

As medidas incluem nove mandados de prisão preventiva, 10 mandados de busca e apreensão domiciliar com caráter itinerante e oito bloqueios de ativos financeiros, totalizando cerca de R$ 200 mil. As investigações revelam uma estrutura criminosa organizada, com vínculos com facção e atuação simultânea no tráfico de drogas, estelionatos digitais em plataformas de compra e venda online e na lavagem de dinheiro.

Um dos pontos centrais do inquérito é o papel do principal investigado, apontado como líder do grupo, que mesmo custodiado em unidade prisional continuava exercendo função estratégica como gestor financeiro da organização. Ele coordenava a arrecadação semanal e a distribuição dos lucros entre os integrantes, demonstrando alto nível de organização e controle interno.

Os dados apurados indicam que apenas na primeira semana de novembro de 2023 o grupo obteve lucro de R$ 105.900 com golpes digitais. Paralelamente, a organização atuava na comercialização de entorpecentes como pasta base de cocaína, skunk e cocaína refinada, além de manter domínio territorial sobre pontos de venda em diversos bairros da capital.

Segundo o delegado Eduardo Ribeiro, responsável pela investigação, o grupo utilizava mecanismos sofisticados para ocultar a origem ilícita dos recursos, incluindo fragmentação de transferências, uso de contas de terceiros e empresas registradas em nome de familiares. As movimentações financeiras identificadas superam R$ 200 mil em um único mês, valores incompatíveis com rendas lícitas declaradas.

Outro aspecto identificado foi a estratégia de inserção social adotada pelo grupo, que promovia distribuição de cestas básicas e eventos esportivos em comunidades locais, obtendo ganhos adicionais com a venda de bebidas e fortalecendo sua influência para dificultar denúncias.

A Operação Gerente Fantasma integra o planejamento estratégico da segurança pública estadual dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero, que intensifica o enfrentamento às facções criminosas em Mato Grosso. A ação também faz parte da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e Inteligência, reforçando a integração entre os estados no combate qualificado ao crime organizado.

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