A influenciadora digital Virginia Fonseca prestou depoimento nesta terça-feira (13) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal. A comissão investiga a atuação de casas de apostas e a promoção dos jogos de azar online por influenciadores digitais, prática que levanta preocupações sobre seus impactos sociais, sobretudo entre públicos vulneráveis.
Durante a oitiva, Virginia negou ter assinado contratos de publicidade com a chamada “cláusula da desgraça” — termo que vem sendo usado para descrever dispositivos contratuais que garantiriam aos influenciadores uma porcentagem sobre as perdas financeiras dos apostadores. Esse tipo de cláusula é considerado eticamente controverso, pois cria um incentivo direto para que o influenciador induza seus seguidores a apostar mais, mesmo sabendo que isso pode levá-los a prejuízos financeiros.
A popularização dos jogos de azar em plataformas digitais tem acendido alertas entre autoridades, psicólogos e especialistas em políticas públicas. O principal motivo de preocupação é o potencial viciante dessas atividades, que podem gerar dívidas, transtornos mentais e problemas familiares, especialmente entre adolescentes e pessoas com perfil mais vulnerável. Ao associar apostas a promessas de lucro fácil ou estilo de vida luxuoso — frequentemente exibido pelos próprios influenciadores —, esse tipo de publicidade pode estimular comportamentos de risco.
Apesar de negar a existência da “cláusula da desgraça” em seus acordos, Virginia Fonseca afirmou que um de seus contratos previa um bônus, caso ela “dobrasse os lucros” da casa de apostas. A declaração chamou a atenção dos parlamentares e será analisada com mais profundidade pelos membros da comissão, que querem entender os critérios para definir tais bonificações e como elas se relacionam com o comportamento dos apostadores atraídos por campanhas promocionais.
A CPI das Bets segue em andamento, e novos depoimentos estão previstos para os próximos dias. A comissão pretende identificar os principais responsáveis pela disseminação da cultura das apostas online nas redes sociais e buscar formas de regulamentar ou limitar esse tipo de prática, especialmente no que diz respeito à proteção de menores e da população mais suscetível aos danos do jogo compulsivo.
DA REDAÇÃO




