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Vereadores afastados há quase 3 meses seguem com salários de R$ 26 Mil e sem Depor

Mesmo sob suspeita de negociar propina de R$ 250 mil com empreiteira, parlamentares de Cuiabá ainda não foram ouvidos e continuam recebendo vencimentos integrais

🕒 Publicado em 12/07/2025 às 16:45

Quase três meses após serem afastados por suspeita de envolvimento em um esquema de propina de R$ 250 mil, os vereadores de Cuiabá Sargento Joelson (PSB) e Chico 2000 (PL) ainda não prestaram depoimento à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), responsável pela apuração do caso. O inquérito faz parte da Operação Perfídia, que investiga o favorecimento à empresa HB 20 Construções em troca de vantagens financeiras.

As investigações apontam que os dois parlamentares teriam articulado o recebimento da propina em 2023, em troca de votos favoráveis a um projeto de interesse da construtora, relacionado à aprovação de uma certidão da Prefeitura de Cuiabá. Esse documento permitiria o parcelamento de dívidas tributárias e liberaria pagamentos à empresa, que acabou recebendo cerca de R$ 4,8 milhões por obras na Avenida Contorno Leste.

Mesmo diante da gravidade das acusações, Joelson e Chico 2000 continuam recebendo os salários integrais de R$ 26 mil, mesmo afastados de suas funções legislativas. A suspensão inicial dos pagamentos, determinada pela Mesa Diretora da Câmara, foi revertida por decisão judicial. A Justiça acolheu os argumentos do Ministério Público Estadual (MPMT), que considerou a medida abusiva, alegando que não se pode aplicar punição financeira sem sentença definitiva.

A decisão de afastar os vereadores por 180 dias foi tomada pela juíza Edna Erdeli Coutinho, do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo), que também proibiu os investigados de entrarem nas dependências da Câmara Municipal durante o período. Enquanto o inquérito segue sem os depoimentos dos principais acusados, suas cadeiras foram ocupadas por suplentes. Gustavo Padilha (PSB) substitui Joelson desde maio. A vaga de Chico 2000 passou por Rafael Yonekubo e atualmente está com Fellipe Corrêa (PL), ex-secretário da atual gestão municipal.

Apesar da repercussão negativa e das provas apresentadas, incluindo mensagens de WhatsApp, áudios e registros de encontros na sede do Legislativo, nenhum processo de cassação ou quebra de decoro foi instaurado. Um pedido com esse teor, protocolado pelo ex-juiz e atual político Julier Sebastião (PT), foi rejeitado pela Mesa Diretora da Casa.

O nome da empresa HB 20 Construções ganhou os holofotes após a confirmação do próprio funcionário, João Jorge Souza Catalan Mesquita, de que atuou como intermediário nos repasses. Ele apresentou provas das transferências via PIX e mensagens trocadas com Joelson, que reforçam a denúncia. Chico 2000 nega qualquer envolvimento com o caso. Já Sargento Joelson diz ser alvo de perseguição política e não comentou as conversas reveladas pela investigação.

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