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Taxação de Trump sobre produtos brasileiros pode elevar preços no Brasil, alerta economista

Medida anunciada pelo presidente americano pode disparar dólar, aumentar juros e afetar desde alimentos até medicamentos

🕒 Publicado em 14/07/2025 às 07:36

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto gerou forte reação entre representantes do agronegócio em Mato Grosso. A justificativa apresentada por Trump inclui desde alegações políticas — como censura a redes sociais e perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro — até desequilíbrio na balança comercial entre os dois países.

Especialistas apontam que, se implementada, a medida pode desencadear impactos severos sobre a economia brasileira e atingir diretamente o bolso do consumidor. O professor Maurício Munhoz, economista da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), avalia que a decisão tem potencial para provocar um efeito dominó que começa com a alta do dólar e chega até a mesa de quem faz compras no mercado.

“Com o simples anúncio da medida, o dólar já começou a subir. E quando o dólar sobe, tudo o que o Brasil importa — como trigo, combustíveis, fertilizantes e medicamentos — fica mais caro”, explicou Munhoz.

Alta do dólar e juros mais altos

A elevação da moeda americana tende a pressionar a inflação. Em resposta, o Banco Central pode optar por aumentar a taxa básica de juros (Selic), o que encarece o crédito para consumidores e empresas. Isso reduz o poder de compra da população e freia o crescimento econômico.

Segundo Munhoz, até itens do dia a dia, como o pão, podem ter reajuste. Isso porque a produção de trigo no Brasil depende de insumos importados, que ficam mais caros com o dólar alto. Além disso, mesmo produtos fabricados internamente, como carne, milho e soja, também podem sofrer aumento nos preços, devido ao encarecimento da cadeia produtiva.

“A carne, por exemplo, tem valor atrelado ao dólar. Se as exportações forem interrompidas, pode haver uma redução pontual nos preços no mercado interno. Mas, em médio prazo, os custos de produção sobem, e os preços voltam a crescer”, destacou.

Impacto regional e cenário de crise

Em Mato Grosso, o impacto direto pode ser ligeiramente menor do que em estados como São Paulo, segundo o professor, já que grande parte das exportações locais têm como destino a China. Ainda assim, ele alerta que os efeitos indiretos são inevitáveis.

“O consumidor comum, como a dona Maria que vai ao mercado, vai sentir o reflexo disso nos preços. O comércio e o setor de serviços também vão ser afetados, porque o aumento da Selic desaquece a economia como um todo”, afirmou.

Guerra comercial é risco para todos

Sobre a possibilidade de o governo brasileiro retaliar com uma tarifa semelhante sobre produtos americanos, Munhoz é cauteloso. Para ele, esse tipo de resposta pode aprofundar ainda mais a crise.

“Entrar em uma guerra comercial, aumentando também os impostos sobre produtos dos Estados Unidos, pode parecer uma reação justa, mas atinge principalmente os consumidores mais pobres. Medicamentos, autopeças, equipamentos e insumos de tecnologia podem ficar ainda mais caros”, alertou.

Em vez disso, o economista defende estratégias diplomáticas e soluções alternativas. Uma delas seria flexibilizar regras de patentes para facilitar a produção de genéricos no Brasil, reduzindo a dependência de remédios importados.

“Essa é uma forma de responder, prejudicando interesses estratégicos dos EUA, mas sem penalizar diretamente o consumidor brasileiro”, concluiu.

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