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Tarifa dos EUA Pressiona JBS e Marfrig e Coloca em Risco Estratégia de Expansão no Exterior

Decisão do governo Trump de impor tarifa de 50% à carne importada ameaça integração comercial entre Brasil e Estados Unidos

🕒 Publicado em 13/07/2025 às 10:15

A imposição de uma nova tarifa de 50% sobre a carne importada pelos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, acende um sinal de alerta para duas das maiores empresas do setor no Brasil: JBS e Marfrig. Ambas investiram fortemente para ampliar sua presença no mercado norte-americano e agora veem seus planos estratégicos ameaçados.

A medida, que atinge diretamente o setor de proteína animal brasileiro, compromete a rentabilidade das exportações e pode afetar contratos, margens de lucro e até o posicionamento global das companhias. Para a JBS, que conta com 90 unidades operacionais nos EUA e recentemente migrou sua listagem para a Bolsa de Nova York, o impacto é imediato: parte da carne produzida no Brasil abastece o mercado americano — e ficará significativamente mais cara com o novo tributo.

No caso da Marfrig, controladora da norte-americana National Beef, a preocupação é semelhante. A fluidez no comércio entre os dois países é essencial para a manutenção do modelo de negócios integrado da companhia, e a tarifa representa uma barreira difícil de compensar no curto prazo.

Prejuízos e incertezas no horizonte

Antes da taxação, o Brasil exportava cerca de 8% de sua carne bovina para os Estados Unidos, com projeções de crescimento para até 14% em 2025. Com o novo cenário, esse avanço pode ser interrompido ou até revertido.

Apesar da vantagem competitiva da carne brasileira — com a arroba do boi no Brasil custando menos da metade do valor praticado nos EUA — o acréscimo tarifário compromete essa diferença e dificulta a manutenção dos volumes atuais de exportação.

Setores ligados ao agronegócio e analistas do mercado indicam que uma possível saída seria redirecionar a produção para países como Japão, Canadá e México, ou até utilizar rotas indiretas, como o envio de gado vivo para o Paraguai, onde empresas como a Minerva operam sem as mesmas restrições.

Impacto além da economia

Ainda que nenhuma das duas empresas tenha se manifestado publicamente até o momento, especialistas alertam que a decisão americana pode ter motivação mais política do que comercial. A medida pode sinalizar um reposicionamento estratégico dos EUA em relação a cadeias globais de suprimento, especialmente em setores onde o Brasil se destaca.

Com isso, o setor de carnes deve passar por uma reconfiguração logística e estratégica nas exportações nos próximos meses, ao passo que os impactos da medida são absorvidos pelas indústrias e mercados internacionais.

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