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Satélite da Nasa registra avanço de lava em vulcão russo após quase 500 anos

Sequência de imagens mostra a evolução da erupção do Krasheninnikov, em Kamchatka, e revela como a lava modificou a paisagem ao longo dos meses

🕒 Publicado em 28/09/2026 às 11:29

Uma sequência de imagens captadas do espaço permite acompanhar a evolução de uma erupção vulcânica na península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia. O material mostra, em detalhes, o avanço da lava pelo vulcão Krasheninnikov, que voltou a apresentar atividade depois de quase cinco séculos em silêncio.

A erupção começou poucos dias depois de um terremoto de magnitude 8,8 registrado no oceano próximo à região, em julho de 2025. As imagens foram divulgadas pela Nasa nesta semana.

O registro reúne 17 imagens obtidas pelo NISAR, satélite desenvolvido em uma parceria entre a agência espacial norte-americana e a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO).

Captadas entre dezembro e meados de agosto, as imagens permitem observar diferentes estágios da atividade vulcânica. Inicialmente, a lava ocupa uma caldeira interna menor. Depois, o material supera os limites da estrutura e alcança uma cratera mais ampla, antes de se espalhar pelo terreno.

O Krasheninnikov é formado por dois vulcões próximos. A atividade atual está concentrada no vulcão localizado ao norte, de onde um fluxo contínuo de lava e detritos segue em direção ao leste desde o início da erupção.

Imagens transformadas em sequência

O NISAR registrou o vulcão ainda durante sua fase inicial de operação. Em 25 de dezembro de 2025, enquanto concluía os testes realizados após o lançamento, o satélite fez a primeira imagem do Krasheninnikov a uma altitude de 747 quilômetros.

Depois disso, o equipamento voltou a observar a mesma região duas vezes a cada 12 dias. A frequência das passagens permitiu reunir registros feitos em diferentes momentos e transformá-los em uma sequência que mostra a evolução da erupção.

Com as imagens, pesquisadores conseguem observar mês a mês as mudanças provocadas pelo material vulcânico e acompanhar a expansão do fluxo de lava sobre a superfície.

Tecnologia de radar

Apesar da aparência semelhante à de fotografias convencionais, os registros utilizados na sequência não são fotografias. O NISAR utiliza um sistema de radar de abertura sintética, conhecido pela sigla SAR.

A tecnologia envia micro-ondas em direção à superfície terrestre e analisa o sinal que retorna ao equipamento. Como não depende da iluminação solar, o sistema consegue realizar observações durante o dia ou à noite.

Outra vantagem é a capacidade de obter dados mesmo em condições de nebulosidade, algo especialmente importante em Kamchatka, onde as condições climáticas podem dificultar observações ópticas.

No caso do Krasheninnikov, a lava recente apresenta uma resposta diferente no radar em comparação com a neve e o solo ao redor. Essa diferença permite identificar o fluxo e acompanhar suas mudanças ao longo do tempo.

Monitoramento de vulcões

A possibilidade de observar repetidamente uma mesma área é uma das principais características do NISAR. Além de acompanhar erupções vulcânicas, a missão foi desenvolvida para detectar pequenas deformações na superfície terrestre, inclusive alterações na ordem de centímetros.

Essas informações podem auxiliar no monitoramento de vulcões que apresentam deformações antes de entrar em atividade, além de contribuir para estudos de falhas geológicas e áreas suscetíveis a deslizamentos.

A missão também amplia a capacidade de observação dos cerca de 1.300 vulcões ativos localizados acima do nível do mar em diferentes partes do planeta.

Com registros frequentes, cobertura ampla e resolução de vários metros, os dados obtidos pelo satélite permitem acompanhar transformações na superfície terrestre e oferecem novas ferramentas para o estudo de fenômenos naturais.

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