Delegados afirmam que disputa por fazenda de 12 mil hectares motivou assassinato do ex-presidente da OAB-MT; investigação aponta novos suspeitos
A Polícia Civil de Mato Grosso investiga o possível envolvimento de outros membros da família Sechi e do advogado Antônio João de Carvalho Júnior no assassinato do ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Renato Gomes Nery. O crime ocorreu em julho de 2024 e teria sido motivado por uma disputa judicial relacionada a uma fazenda de mais de 12 mil hectares no estado.
Na última semana, o casal de empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Basto foi preso temporariamente, apontado como mandante do crime. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (12), os delegados Caio Albuquerque e Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informaram que outras pessoas também são investigadas.
“É só a Julinere que está envolvida? A gente ainda está investigando porque a briga não era só deles. Era deles, da família, toda a família Sechi, e tinha parte da fazenda que ficou para Antônio João. Então isso tudo é muito complexo”, afirmou o delegado Bruno Abreu.
Segundo a Polícia, Nery teria recebido cerca de 2.700 hectares da fazenda como pagamento de honorários advocatícios. A redistribuição dessa área a terceiros teria causado conflitos que culminaram na execução do advogado.
Na sexta-feira (9), o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva foram indiciados como executores diretos do crime. A investigação aponta que Heron intermediou a obtenção da arma usada por Alex.
Durante depoimento, César Jorge Sechi foi descrito como “frio e irônico” pelos investigadores. “Ele alega que é um completo equívoco, mas temos elementos suficientes para dizer que ele é um dos mandantes”, disse o delegado Caio Albuquerque.
A Polícia Civil informou que um novo inquérito será aberto para aprofundar as apurações e identificar todos os envolvidos na execução de Renato Nery. “As investigações, por óbvio, vão se desdobrar. Teremos talvez mais de um a dois meses somente no que tange a esses demais envolvidos”, afirmou Bruno Abreu.
De acordo com a DHPP, os elementos de prova já reunidos são sólidos e sustentam os pedidos de prisão e indiciamento. “Temos certeza do que a gente tem e acreditamos piamente que tanto o Ministério Público quanto o Poder Judiciário estão atentos a esses elementos de prova”, concluiu Albuquerque.
DA REDAÇÃO




