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PM Chora, Cita Esquizofrenia e Se Cala em Júri por Tentativa de Homicídio

No banco dos réus por tentativa de homicídio, policial militar alega instabilidade mental, pede tratamento e emociona o júri; ele é o mesmo acusado de matar a esposa três dias antes do julgamento

🕒 Publicado em 08/07/2025 às 17:12

O julgamento do policial militar Ricker Maximiano de Moraes, acusado de tentativa de homicídio contra um adolescente em 2018, começou nesta terça-feira (8), no Fórum de Cuiabá, marcado por forte tensão emocional e reviravoltas chocantes. Preso também pelo assassinato da própria esposa, ocorrido há pouco mais de um mês, o réu chorou diante do júri e alegou sofrer de esquizofrenia, afirmando não ter condições de depor.

“Não tomei meu medicamento. Não consigo falar, ainda mais ao lembrar da minha esposa”, disse, aos prantos, em um depoimento que durou pouco mais de quatro minutos. Ricker solicitou tratamento médico e isenção de fala, justificando estado mental abalado. Ele também pediu desculpas ao tribunal e teve as algemas retiradas a pedido da defesa.

Réu por Dois Crimes Graves

Além da acusação de ter atirado em um adolescente que voltava para casa com amigos, Ricker também responde por feminicídio. A vítima: sua esposa Gabrielli Daniel de Sousa, de 31 anos — a mesma que, em 2018, testemunhou o crime agora julgado. Ela foi morta a tiros no dia 25 de maio deste ano, apenas três dias antes do início do júri popular. Após o crime, o policial deixou os filhos do casal com parentes e se entregou no dia seguinte.

No julgamento desta terça, chamou atenção o fato de Ricker ainda usar aliança, apesar de afirmar que está “infelizmente solteiro”.

Ataque Sem Justificativa e Com Câmeras Desmentindo Versão

De acordo com a acusação, o crime de 2018 aconteceu na Avenida General Melo, em Cuiabá, quando o réu discutia com a então namorada na rua. Três adolescentes passaram rindo e foram abordados por Ricker, que os mandou “vazar”. Segundo o Ministério Público, o PM sacou uma arma e atirou pelas costas contra um deles, que parou de correr. O tiro atingiu a região glútea e deixou sequelas graves e permanentes: o jovem agora depende de cateterismo para urinar.

Imagens de segurança da época mostram que os adolescentes não tentaram qualquer assalto ou abordagem ao casal, contrariando a versão inicial do policial.

Promotor Rebate: “Lágrimas de Crocodilo”

Durante o julgamento, o promotor Jaques de Barros Lopes foi incisivo:

“O Estado deu farda, salário, treinamento, e ele retribuiu tirando vidas. Chamá-lo de mentiroso, dissimulado e assassino não é exagero. Atirou pelas costas em jovens que apenas riam na rua. Matou a testemunha do crime três dias antes do julgamento e agora posa de vítima.”

O promotor também destacou contradições nos depoimentos do réu, que inicialmente alegou discutir a relação com Gabrielli no momento do crime, mas depois disse que “conversavam normalmente”.

Defesa Questionada por Declarações Polêmicas

Uma das testemunhas de defesa, o policial aposentado José Antônio, também causou desconforto ao dizer que “cidadão de bem não anda na rua à noite”, ao comentar que “4 ou 5 pessoas juntas no Dom Aquino é suspeito”. A fala levantou suspeitas de racismo estrutural e pode gerar desdobramentos futuros.

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