O pistoleiro Alex Roberto de Queiroz Silva confessou nesta quinta-feira (15) ser o autor do assassinato do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, morto em julho de 2024. O depoimento, prestado na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Cuiabá, foi o terceiro desde sua prisão no dia 6 de março. Ele admitiu o crime, mas alegou não se recordar dos detalhes.
Alex é o segundo dos 11 investigados a assumir participação no crime. Segundo o delegado Bruno Abreu, responsável pelo interrogatório, o acusado afirmou que desde o início sabia que o homicídio havia sido encomendado por um casal de fazendeiros de Primavera do Leste.
Mandantes presos
O avanço das investigações levou à prisão da comerciante do ramo joalheiro Julinere Goulart Bastos e de seu marido, o empresário do agronegócio Cesar Jorge Sechi, apontados como mandantes do crime. Eles foram presos no dia 9 de maio, após a abertura de um inquérito complementar.
De acordo com o delegado Caio Albuquerque, titular da DHPP, a Justiça já decretou a quebra de sigilo bancário de todos os investigados. O objetivo é cruzar movimentações financeiras para identificar possíveis novos envolvidos e aprofundar a apuração do pagamento feito aos executores.
Pagamento e motivação
Em depoimento, Alex revelou que aceitou participar do assassinato por estar endividado com agiotas. Disse não saber o valor exato recebido, mas acredita ter recebido cerca de R$ 150 mil, pagos em parcelas de aproximadamente R$ 5 mil, repassadas pelo policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, também investigado. Segundo ele, o valor acordado inicialmente teria sido de R$ 200 mil.
Heron foi o primeiro a confessar a participação no crime e é apontado como um dos intermediadores do homicídio. Ambos já foram indiciados por homicídio duplamente qualificado.
Falsificação de cena do crime
Quatro outros policiais militares também são investigados por envolvimento na tentativa de encobrir o assassinato. Segundo a Polícia Civil, eles participaram de uma operação forjada para simular confronto armado, plantando a pistola usada na execução ao lado do corpo de uma vítima inocente.
A arma do crime, uma pistola Glock adaptada para disparos automáticos, foi descrita pelo delegado como de uso raro e alto custo. Alex afirmou que comprou o armamento de um integrante do Comando Vermelho, já falecido.
Investigações seguem em curso
As investigações continuam, com foco no levantamento bancário e telefônico dos envolvidos, para identificar a origem do dinheiro usado para financiar o crime e possíveis novos participantes. A DHPP não descarta mais prisões nos próximos dias.
Da Redação




