Cuiabá (MT) – Um inquérito da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE) revela indícios de que políticos eleitos em Cuiabá e Várzea Grande mantinham vínculos com empresários investigados por fraudes milionárias em contratos da Companhia Mato-Grossense de Mineração (Metamat). A apuração culminou na Operação Poço Sem Fundo, deflagrada na última quinta-feira (8), e investiga o desvio de cerca de R$ 22 milhões da autarquia estadual.
Segundo o documento judicial que embasou a operação, houve movimentações financeiras atípicas entre os sócios das empresas contratadas e autoridades políticas, levantando suspeitas de interferência indevida em contratos de perfuração de poços artesianos firmados entre os anos de 2020 e 2023.
“A análise das movimentações atípicas indicadas no Relatório de Inteligência Financeira do COAF revelou a existência de saques em espécie […] entre estas pessoas jurídicas e/ou seus sócios com políticos eleitos no município de Cuiabá e Várzea Grande”, diz trecho da decisão que autorizou buscas e apreensões.
Entre os alvos da operação estão o atual diretor-administrativo da Metamat e ex-deputado estadual Wagner Ramos, o diretor-técnico Francisco Holanildo Silva Lima e o ex-presidente do órgão, Juliano Jorge Boraczynsk.
De acordo com auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE), algumas empresas investigadas receberam valores mesmo sem prestar os serviços contratados. Em outras situações, os poços foram perfurados em áreas urbanas, propriedades privadas e até garimpos, em completo desacordo com o objetivo do programa, que deveria beneficiar comunidades rurais carentes.
A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) também apontou transações suspeitas envolvendo parentes de dirigentes da Metamat, políticos e empresários, sugerindo o possível uso de mecanismos de lavagem de dinheiro.
“A investigação identificou, também, movimentações financeiras atípicas entre os sócios-administradores das empresas contratadas, parentes de ocupantes de cargos de direção na Metamat e políticos, indicando a possível prática de lavagem de capitais”, consta em outro trecho da decisão judicial.
Embora os nomes dos políticos envolvidos ainda estejam sob sigilo, os investigadores afirmam que os vínculos financeiros e familiares descobertos exigem apuração imediata, e alertam que a rede de favorecimento pode ser mais ampla do que se imaginava inicialmente.
“A complexidade dos fatos e a intrincada teia de relações estabelecidas entre os agentes envolvidos torna provável o envolvimento de outros indivíduos, bem como a possibilidade de que os ilícitos apurados estejam inseridos em um contexto ainda maior de desvio de dinheiro público”, conclui o inquérito.
Da Redação




