O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou nove pessoas envolvidas em um esquema criminoso que teria causado prejuízos superiores a R$ 500 milhões por ano aos cofres públicos de Mato Grosso. As investigações deram origem à Operação Barril Vazio, deflagrada nesta sexta-feira (16), e revelam um complexo esquema de fraudes no setor de combustíveis, com envolvimento de empresários e operadores financeiros.
Os crimes atribuídos aos denunciados incluem organização criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documento público e delitos contra a ordem tributária. Entre os principais alvos estão Alexandre Wonhrath da Gama e Silva e Roberto Augusto Leme da Silva, apontados como líderes do grupo.
De acordo com a denúncia, os envolvidos integravam uma estrutura hierárquica bem definida, com divisão de tarefas para executar fraudes contábeis, patrimoniais e documentais. O esquema utilizava empresas como NEOVG/EGCEL, Copape e outras, com o objetivo de simular capital social, inflar patrimônio e obter autorizações e incentivos fiscais de forma ilícita.
Lideranças e operação milionária
Alexandre Wonhrath é acusado de liderar diretamente as fraudes à frente da NEOVG/EGCEL, simulando capital social com a emissão de notas promissórias sem lastro e utilizando empresas de fachada para obter benefícios junto à ANP, Sefaz/MT e Jucemat.
Já Roberto Leme, tido como “mentor oculto”, controlava as decisões por meio de fundos de investimento, ocultando sua participação nas empresas e viabilizando a captação fraudulenta de recursos. Embora não constasse formalmente como sócio, era o controlador efetivo da NEOVG/EGCEL, segundo a quebra de sigilo bursátil.
Esquema envolvia aquisição fraudulenta de imóveis e contratos fictícios
Clayton Hygino de Miranda, considerado o “braço direito” dos líderes, atuava na execução das transações fraudulentas, inclusive com fornecedores internacionais, e na elaboração de contratos e documentos falsificados.
Outros denunciados, como Egnomar de Freitas Tiago, Celso Carlos da Silva e Estefânia Alves de Freitas, operavam a fraude patrimonial com a simulação de propriedades rurais e a produção de laudos técnicos supervalorizados para inflar artificialmente o capital social da empresa.
Também foram denunciados Francisco Haroldo do Prado, Mauro Alexandre Moleiro Pires e Santiago Selverio Savalio, por colaborarem na assinatura de documentos falsos e na movimentação financeira ilícita do grupo.
Dano bilionário e macrocriminalidade
Segundo o MPE, os prejuízos ao erário são expressivos e caracterizam um caso de macrocriminalidade econômica. A organização se utilizava de mecanismos sofisticados de falsificação, adulteração de registros e dissimulação patrimonial para manter o esquema em funcionamento.
“Os danos causados ao erário estadual, a violação da ordem econômica e a afronta à legislação tributária e societária evidenciam a gravidade das condutas praticadas”, afirma trecho da denúncia.
A Operação Barril Vazio continua em andamento, e o Ministério Público não descarta novas denúncias ou medidas cautelares, dada a complexidade do caso.
Da Redação




