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Operação Aposta Perdida mira esquema familiar de apostas ilegais e bloqueia R$ 10 milhões em Mato Grosso

Polícia Civil identifica estrutura criminosa ligada a jogos online, lavagem de dinheiro e uso de influenciadores digitais

🕒 Publicado em 23/04/2026 às 07:21

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23), a Operação Aposta Perdida com foco na desarticulação de um grupo criminoso formado majoritariamente por integrantes de uma mesma família, investigado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online. Ao todo, foram expedidas 34 ordens judiciais pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cuiabá, incluindo mandados de busca e apreensão, bloqueios financeiros, sequestro de bens, suspensão de atividades econômicas e restrições de passaporte.

A investigação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) em conjunto com a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), com apoio da Diretoria de Inteligência, revelou um esquema estruturado voltado à obtenção de recursos ilícitos por meio da promoção e intermediação de plataformas ilegais de apostas online, popularmente conhecidas como “jogo do tigrinho”. As ações são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e Itapema.

Segundo as apurações, o grupo utilizava redes sociais para atrair usuários com promessas de ganhos rápidos e elevados, operando com características semelhantes a esquemas de pirâmide financeira, nos quais os rendimentos dependem da entrada contínua de novos participantes. O principal investigado é apontado como o articulador do esquema, responsável pela movimentação financeira e pela ocultação dos valores obtidos ilegalmente por meio de empresas e aquisição de bens de alto valor.

As análises financeiras indicam que os recursos eram dissimulados por meio de transações fracionadas, uso de empresas de fachada e interposição de terceiros, dificultando o rastreamento. Entre os bens identificados estão imóveis de alto padrão e veículos de luxo de marcas como BMW, Land Rover e Porsche, incompatíveis com a renda declarada. Relatórios técnicos também apontam movimentações milionárias, inconsistências fiscais e conexões com outras investigações e contatos internacionais ligados a fraudes digitais.

Outro eixo relevante da investigação envolve a atuação de familiares do principal alvo, incluindo esposa e cunhada, que exerciam papel estratégico como influenciadoras digitais. Elas utilizavam suas redes sociais para divulgar as plataformas ilegais, promovendo conteúdos com ostentação de ganhos e direcionamento de seguidores para os jogos, muitas vezes com uso de contas demonstrativas para simular lucros e ampliar a adesão de novos usuários.

O padrão de vida elevado apresentado pelo grupo, com aquisição rápida de bens de luxo, viagens frequentes e exposição nas redes sociais, foi um dos fatores que reforçaram as suspeitas, diante da ausência de lastro econômico compatível com as atividades formais declaradas.

A operação tem como objetivo interromper o fluxo financeiro ilícito, reunir provas e responsabilizar os envolvidos, além de enfraquecer a estrutura econômica do grupo. A ação integra o planejamento estratégico da segurança pública estadual dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero, que intensifica o combate ao crime organizado em Mato Grosso.

A ofensiva também faz parte da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Diretoria de Operações Integradas e Inteligência, reforçando a atuação integrada das forças de segurança no enfrentamento qualificado às organizações criminosas.

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