Aos 67 anos, ele se tornou o primeiro americano vivo com um rim de porco geneticamente modificado — e agora é símbolo de esperança para milhares que aguardam por um transplante.
A vida antes do transplante
Aos 67 anos, Tim Andrews já não acreditava que teria muito tempo. Diagnosticado com insuficiência renal em estágio terminal, ele passou meses preso a uma rotina exaustiva de diálise: três vezes por semana, seis horas por sessão. Os pequenos prazeres da vida desapareceram — os jogos do Red Sox, as viagens com a esposa, os momentos com os netos.
Mas um procedimento ousado e experimental mudou tudo. Em janeiro de 2025, Andrews tornou-se a única pessoa nos Estados Unidos vivendo com um rim de porco geneticamente modificado.
Um passo histórico na medicina
O transplante foi realizado no Hospital Geral de Massachusetts e integrou um estudo clínico pioneiro, criado para combater a grave escassez de órgãos. Atualmente, mais de 90 mil pessoas aguardam um rim nos EUA, e muitas não sobrevivem à espera.
“Isso fará algo pela humanidade”, disse Andrews após a cirurgia.
O início da luta
A jornada de Tim rumo à cirurgia começou décadas antes, com um diagnóstico de diabetes nos anos 1990. Em 2022, a função renal entrou em colapso, tornando a diálise inevitável. O tratamento desgastou seu corpo e sua mente. Um ataque cardíaco e a solidão o fizeram considerar desistir.
Foi então que ouviu falar sobre xenotransplante — o uso de órgãos de animais geneticamente modificados em humanos.
Preparação e determinação
Tim procurou o Dr. Leonardo Riella, diretor de transplante renal do hospital, responsável por estudos com rins de porco modificados para maior compatibilidade com o corpo humano. Riella foi direto: para realizar a cirurgia, Tim precisava recuperar forças.
Motivado, ele emagreceu, melhorou sua saúde bucal e atualizou as vacinas. “Quando ele voltou, estava quase correndo pela sala”, relembrou Riella.
O dia que mudou tudo
A cirurgia, prevista para durar quatro horas, foi concluída em pouco mais de duas. O novo rim começou a funcionar imediatamente — um sinal extremamente positivo.
“Foi um milagre”, disse Tim, emocionado.
Desde então, ele adotou o dia 25 de janeiro de 2025 como seu novo aniversário.
Uma nova vida com um novo rim
Longe da diálise, Tim voltou a passear com seu cachorro, Cupcake, e redescobriu o prazer de cozinhar. Seu maior sonho agora é levar a esposa, Karen, para conhecer a Europa.
Apesar de ainda precisar tomar dezenas de comprimidos diários, ele comemora a liberdade recuperada:
“Agora posso fazer tudo o que quiser.”
Desafios e futuro da xenotransplantação
O caso de Tim não é isolado, mas ainda está cercado de incertezas. Outros pacientes que receberam rins de porco geneticamente modificados tiveram resultados variados.
- Richard Slayman, o primeiro paciente, faleceu dois meses após o transplante, por causas não relacionadas.
- Towana Looney viveu com o órgão por cerca de quatro meses, mas seu corpo rejeitou o rim.
Os médicos ainda buscam entender a melhor forma de evitar rejeições e ajustar os medicamentos imunossupressores. Os rins utilizados possuem dezenas de alterações genéticas, projetadas para reduzir riscos de infecção e incompatibilidade — mas a combinação ideal ainda é um mistério.
Um herói moderno
Para o Dr. Riella, casos como o de Tim serão lembrados como marcos na medicina moderna:
“Acho que pacientes como Tim serão lembrados como heróis.”
E Tim quer que sua história inspire quem enfrenta batalhas semelhantes:
“Vejo muita gente desistindo. Não desista.”
DA REDAÇÃO




