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O homem que venceu a fila do transplante: como um rim de porco devolveu a vida a Tim Andrews

🕒 Publicado em 14/05/2025 às 19:46

Aos 67 anos, ele se tornou o primeiro americano vivo com um rim de porco geneticamente modificado — e agora é símbolo de esperança para milhares que aguardam por um transplante.

A vida antes do transplante

Aos 67 anos, Tim Andrews já não acreditava que teria muito tempo. Diagnosticado com insuficiência renal em estágio terminal, ele passou meses preso a uma rotina exaustiva de diálise: três vezes por semana, seis horas por sessão. Os pequenos prazeres da vida desapareceram — os jogos do Red Sox, as viagens com a esposa, os momentos com os netos.

Mas um procedimento ousado e experimental mudou tudo. Em janeiro de 2025, Andrews tornou-se a única pessoa nos Estados Unidos vivendo com um rim de porco geneticamente modificado.


Um passo histórico na medicina

O transplante foi realizado no Hospital Geral de Massachusetts e integrou um estudo clínico pioneiro, criado para combater a grave escassez de órgãos. Atualmente, mais de 90 mil pessoas aguardam um rim nos EUA, e muitas não sobrevivem à espera.

“Isso fará algo pela humanidade”, disse Andrews após a cirurgia.


O início da luta

A jornada de Tim rumo à cirurgia começou décadas antes, com um diagnóstico de diabetes nos anos 1990. Em 2022, a função renal entrou em colapso, tornando a diálise inevitável. O tratamento desgastou seu corpo e sua mente. Um ataque cardíaco e a solidão o fizeram considerar desistir.

Foi então que ouviu falar sobre xenotransplante — o uso de órgãos de animais geneticamente modificados em humanos.


Preparação e determinação

Tim procurou o Dr. Leonardo Riella, diretor de transplante renal do hospital, responsável por estudos com rins de porco modificados para maior compatibilidade com o corpo humano. Riella foi direto: para realizar a cirurgia, Tim precisava recuperar forças.

Motivado, ele emagreceu, melhorou sua saúde bucal e atualizou as vacinas. “Quando ele voltou, estava quase correndo pela sala”, relembrou Riella.


O dia que mudou tudo

A cirurgia, prevista para durar quatro horas, foi concluída em pouco mais de duas. O novo rim começou a funcionar imediatamente — um sinal extremamente positivo.

“Foi um milagre”, disse Tim, emocionado.

Desde então, ele adotou o dia 25 de janeiro de 2025 como seu novo aniversário.


Uma nova vida com um novo rim

Longe da diálise, Tim voltou a passear com seu cachorro, Cupcake, e redescobriu o prazer de cozinhar. Seu maior sonho agora é levar a esposa, Karen, para conhecer a Europa.

Apesar de ainda precisar tomar dezenas de comprimidos diários, ele comemora a liberdade recuperada:

“Agora posso fazer tudo o que quiser.”


Desafios e futuro da xenotransplantação

O caso de Tim não é isolado, mas ainda está cercado de incertezas. Outros pacientes que receberam rins de porco geneticamente modificados tiveram resultados variados.

  • Richard Slayman, o primeiro paciente, faleceu dois meses após o transplante, por causas não relacionadas.
  • Towana Looney viveu com o órgão por cerca de quatro meses, mas seu corpo rejeitou o rim.

Os médicos ainda buscam entender a melhor forma de evitar rejeições e ajustar os medicamentos imunossupressores. Os rins utilizados possuem dezenas de alterações genéticas, projetadas para reduzir riscos de infecção e incompatibilidade — mas a combinação ideal ainda é um mistério.


Um herói moderno

Para o Dr. Riella, casos como o de Tim serão lembrados como marcos na medicina moderna:

“Acho que pacientes como Tim serão lembrados como heróis.”

E Tim quer que sua história inspire quem enfrenta batalhas semelhantes:

“Vejo muita gente desistindo. Não desista.”

DA REDAÇÃO

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