O grupo palestino Hamas declarou nesta quarta-feira (2.7) que está aberto a discutir um novo cessar-fogo com Israel, contanto que a trégua resulte no fim completo da guerra em Gaza. A posição foi apresentada em meio a rumores de uma proposta de paz intermediada por Donald Trump, com duração de 60 dias — plano que teria sido bem recebido por autoridades israelenses.
Segundo o porta-voz do Hamas, Taher al-Nunu, o grupo estaria disposto a aceitar qualquer proposta séria que conduza ao encerramento definitivo do conflito. A declaração ocorreu após uma reunião entre representantes palestinos, mediadores do Egito e do Catar para tratar do possível acordo.
A exigência do Hamas, porém, permanece o principal ponto de impasse nas negociações. Enquanto o grupo defende o cessar total das hostilidades e a retirada das tropas de Israel da Faixa de Gaza, o governo israelense ainda condiciona qualquer acordo à neutralização militar do Hamas — o que incluiria o desarmamento das milícias e o exílio de seus líderes.
Sinais de mudança em Israel
Apesar da postura firme do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, há sinais de que partes do governo israelense estejam mais abertas a negociações. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, afirmou que Israel deve aproveitar qualquer oportunidade real para resgatar os reféns ainda mantidos em Gaza.
“A maioria da população e do governo apoia a libertação dos reféns. Se houver chance, ela deve ser aproveitada”, escreveu Saar em sua conta na rede X (antigo Twitter).
A fala ocorre num momento em que a oposição israelense se articula para apoiar um eventual acordo, caso as alas mais radicais do governo tentem barrá-lo. Os líderes oposicionistas Yair Lapid e Benny Gantz já teriam sinalizado apoio a um pacto que leve à libertação dos reféns.
Por outro lado, integrantes da coalizão de direita de Netanyahu, como os ministros Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças), estariam se mobilizando contra qualquer tentativa de trégua, o que poderia provocar novas divisões internas no governo.
Expectativas para novo acordo
O plano de cessar-fogo, atribuído à articulação de Donald Trump, prevê uma pausa de 60 dias nos combates. Nesse período, seriam libertados dez reféns israelenses, além da entrega dos corpos de vítimas que morreram no cativeiro. Em troca, o Hamas espera a soltura de palestinos detidos em prisões israelenses.
Embora ainda não haja confirmação oficial sobre os termos da proposta, fontes internacionais apontam que ela repete pontos já apresentados em negociações anteriores — e rejeitados por ambos os lados em momentos distintos.
Visita de Netanyahu aos EUA
O premiê israelense deve embarcar para os Estados Unidos neste sábado (5), em visita de cinco dias. A expectativa é que a proposta de trégua, bem como os rumos do conflito em Gaza, estejam na pauta das conversas com Trump e outros representantes internacionais.




