20 C
Cuiabá
quinta-feira, 21 maio 2026 - 15:30
spot_img
NOTÍCIAFiocruz vai fabricar medicamento de alto custo contra esclerose múltipla para abastecer...

Fiocruz vai fabricar medicamento de alto custo contra esclerose múltipla para abastecer o SUS

Produção nacional da cladribina deve ampliar acesso ao tratamento e reduzir gastos com aquisição da medicação

🕒 Publicado em 21/05/2026 às 14:32

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou que passará a produzir no Brasil a cladribina oral, medicamento utilizado no tratamento da esclerose múltipla e atualmente fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca reduzir os custos da medicação e ampliar o acesso de pacientes ao tratamento de alta complexidade.

Comercializado atualmente sob o nome Mavenclad, o remédio foi incorporado à rede pública de saúde em 2023 para atender pacientes diagnosticados com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) altamente ativa, forma da doença caracterizada por surtos frequentes e rápida progressão mesmo com terapias convencionais.

Hoje, o custo médio do tratamento pode chegar a quase R$ 140 mil ao longo de cinco anos para cada paciente. A expectativa é que a fabricação nacional permita maior sustentabilidade financeira ao SUS e expansão da oferta da medicação.

Segundo estimativas, cerca de 3,2 mil brasileiros convivem com formas mais agressivas da doença, enquanto mais de 30 mil pessoas possuem diagnóstico de esclerose múltipla remitente-recorrente no país.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e degenerativa que afeta o cérebro e a medula espinhal. Os sintomas variam conforme a evolução do quadro e podem incluir perda de mobilidade, comprometimento cognitivo, paralisia e até cegueira.

A cladribina é considerada um dos tratamentos mais inovadores para a doença por ser uma terapia oral de curta duração e com efeitos prolongados no controle da atividade inflamatória da esclerose múltipla.

A relevância do medicamento levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a incluí-lo na Lista de Medicamentos Essenciais.

Estudos recentes apresentados no Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) apontaram resultados positivos em pacientes tratados com a medicação. As pesquisas mostraram redução de lesões neuronais após dois anos de tratamento e melhora significativa na mobilidade dos pacientes.

A produção nacional será realizada por meio de parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fiocruz, a farmacêutica Merck e a indústria químico-farmacêutica Nortec.

De acordo com a diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, esta será a primeira vez que o instituto produzirá um medicamento voltado especificamente ao tratamento da esclerose múltipla.

Ela destacou que a iniciativa fortalece o SUS e amplia o acesso da população brasileira a terapias inovadoras produzidas em território nacional.

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, afirmou que o acordo também fortalece o Complexo Econômico e Industrial da Saúde, reduzindo custos para o sistema público e incentivando a geração de empregos especializados no setor farmacêutico.

Além da cladribina, a Fiocruz mantém outras parcerias em andamento com a Merck envolvendo medicamentos para esclerose múltipla e tratamento da esquistossomose infantil.

**Informações via Agência Brasil

COLUNAS
spot_img
NOTICIAS
spot_img
LEIA MAIS