Da Redação/ acaradopovo.com.br
Após quase dois anos atuando ilegalmente como médica, Sophia Livas de Morais Almeida, 29 anos, teve sua prisão preventiva mantida durante audiência de custódia realizada nesta terça-feira (20/5), no Fórum Henoch Reis, em Manaus. A decisão da juíza acolheu o mandado expedido com base em fortes indícios de exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica e uso de documentos falsos, identificados pela Operação Azoth, deflagrada na segunda-feira (19/5) pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).
Embora formada em Educação Física, Sophia se apresentava como especialista em pediatria e obstetrícia, atendendo inclusive crianças com cardiopatias graves, gestantes de alto risco e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). De acordo com a Polícia Civil do Amazonas, ela chegou a prescrever medicamentos controlados (tarja preta), emitir atestados falsos e até lecionar em instituições de ensino superior da capital.
Para sustentar a fraude, a investigada alegava nas redes sociais ser sobrinha do prefeito de Manaus, David Almeida. Publicou, inclusive, fotos forjadas para reforçar a falsa proximidade: uma com o prefeito segurando uma criança — que, na verdade, é sua filha, Fernanda Aryel — e outra em que aparece ao lado dele em local público. Em nota, a Prefeitura de Manaus negou qualquer relação de parentesco e esclareceu que as imagens foram feitas por populares durante eventos públicos.
Operação Azoth
A prisão de Sophia ocorreu no âmbito da Operação Azoth. Na segunda-feira (19/5), policiais do 1º DIP cumpriram mandados de busca e apreensão em sua residência e em uma academia onde ela costumava treinar. A corregedoria da Polícia Civil reuniu provas de atendimentos ilegais, prescrições médicas irregulares e documentos falsificados.
Em vários casos, pacientes que suspeitaram da atuação da falsa médica procuraram a polícia. Em resposta, Sophia abriu boletins de ocorrência contra eles, alegando difamação — uma tentativa de intimidar e descredibilizar as denúncias.
A Delegacia Especializada em Crimes Contra a Saúde e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) devem encaminhar o inquérito ao Ministério Público do Estado, que avaliará a apresentação da denúncia formal. Enquanto isso, Sophia permanece detida em cela da Polícia Civil, aguardando julgamento.
Crimes investigados:
- Exercício ilegal da medicina
- Falsidade ideológica
- Uso de documento falso
- Lesão corporal culposa (dependendo da análise de prontuários)
Vítimas identificadas:
- Crianças com doenças cardíacas
- Gestantes de alto risco
- Pacientes com TEA




