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Exposição em Brasília retrata história e resistência do Quilombo Mesquita por meio da fotografia

Mostra "Chão Ancestral" reúne imagens produzidas por moradores da comunidade quilombola e destaca a preservação da memória, da cultura e da luta pelo território.

🕒 Publicado em 03/07/2026 às 09:37

A trajetória, a cultura e a resistência do Quilombo Mesquita, localizado na Cidade Ocidental (GO), ganharam espaço em um dos pontos de maior circulação da capital federal. A exposição “Chão Ancestral”, instalada na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, apresenta 35 fotografias produzidas por moradores da comunidade e convida o público a conhecer a história de um dos mais tradicionais quilombos do Centro-Oeste.

Entre os fotógrafos está Walisson Braga, de 29 anos, estudante de Comunicação Visual, que desde a adolescência utiliza a fotografia como instrumento para registrar o cotidiano, as tradições e a luta dos moradores pelo reconhecimento definitivo do território quilombola.

Para o jovem, expor as imagens em um local por onde passa diariamente para chegar à universidade representa a realização de um sonho e uma oportunidade de dar visibilidade à história de sua comunidade.

A mostra também reúne trabalhos dos fotógrafos Luiz Alves e Webert da Cruz e integra a programação do Festival Latinidades, que neste ano celebra os 280 anos do Quilombo Mesquita.

As fotografias destacam especialmente o protagonismo das mulheres da comunidade, responsáveis por preservar saberes tradicionais transmitidos entre gerações. Entre elas está Elpídia Pereira, avó de Walisson e uma das matriarcas do quilombo, reconhecida por sua contribuição para a manutenção da identidade cultural do grupo.

Atualmente, o Quilombo Mesquita abriga cerca de 785 famílias, reunindo mais de três mil moradores que mantêm um modo de vida fortemente ligado à preservação do Cerrado e das tradições ancestrais.

O processo de regularização fundiária também avança. Em dezembro do ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu uma área de aproximadamente 4,1 mil hectares como território da comunidade, ampliando em cerca de 80% a extensão anteriormente ocupada. A expectativa é de que a titulação definitiva seja concluída até o fim deste ano.

Mais do que uma exposição fotográfica, “Chão Ancestral” busca fortalecer a memória coletiva, valorizar a identidade quilombola e ampliar o diálogo sobre a importância da preservação cultural e dos direitos das comunidades tradicionais brasileiras.

**Informações via Agência Brasil

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