A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano gerou fortes reações internacionais — e a China foi a primeira potência global a condenar abertamente a medida.
Em coletiva nesta sexta-feira (11), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que “tarifas não devem ser usadas como ferramentas de coerção ou intimidação” e alertou para o risco de interferência em assuntos internos de países soberanos, como o Brasil.
“A igualdade de soberania e a não-intervenção em assuntos domésticos são princípios fundamentais da Carta da ONU e base das relações internacionais”, declarou a diplomata, ao ser questionada sobre a decisão de Trump.
Crise diplomática com o Brics
O novo tarifaço foi anunciado por Trump logo após a Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, grupo do qual China e Brasil fazem parte. Em uma publicação nas redes sociais, o ex-presidente norte-americano chegou a dizer que qualquer país que fizer parte do bloco “receberá uma tarifa de 10%, apenas por esse motivo”, acusando o grupo de tentar “substituir o dólar” e enfraquecer os Estados Unidos.
O clima de pressão econômica e retaliação se assemelha à guerra tarifária entre China e EUA vivida em 2024, quando tarifas chegaram a 145% sobre produtos chineses, gerando meses de conflito comercial até um acordo parcial ser firmado.
Agora, a China enxerga nas ações de Trump uma tentativa de dividir o Brics e enfraquecer alianças estratégicas de países emergentes.
Tarifa de 50% contra o Brasil
Na quarta-feira (9), Trump divulgou uma carta pública ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em que anunciou o novo tarifaço contra o Brasil, previsto para entrar em vigor em 1º de agosto. Entre os argumentos, Trump citou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF, chamando o processo de “vergonha internacional”.
“Qualquer país que atacar eleições livres ou a liberdade de expressão americana será punido”, escreveu, sem apresentar provas.
O republicano também alegou que a relação comercial com o Brasil é “injusta” e que os EUA acumulam déficits comerciais insustentáveis com o país sul-americano. No entanto, dados do próprio governo brasileiro mostram que o Brasil tem déficits com os EUA desde 2009, somando mais de US$ 90 bilhões em perdas acumuladas.
Produtos como aço e alumínio, já taxados em 50%, serão ainda mais impactados — afetando diretamente a indústria siderúrgica nacional.
Reação do governo brasileiro
Em resposta, o presidente Lula afirmou que o Brasil “não aceitará ser tutelado” e que o aumento unilateral das tarifas será respondido com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
“O processo judicial contra os envolvidos no 8 de janeiro é competência da Justiça brasileira. O Brasil não aceitará ameaças, muito menos interferência externa em sua soberania”, declarou Lula.
O governo também comunicou aos representantes da embaixada dos EUA que irá devolver a carta enviada por Trump como forma de protesto diplomático.




