Um caderno apreendido em um hotel de Diamantino foi peça-chave para a cassação do mandato da vereadora Monnize (União Brasil). O material continha registros detalhados de pagamentos por votos, como a anotação:
“Everton Catunda – 20 votos: R$ 5.000,00 – AGO/SET 2024”,
com assinatura de testemunhas, prazos e valores fracionados.
Esquema envolvia caixa dois e gastos ocultos
Durante a investigação, foram descobertos indícios claros de abuso de poder econômico e caixa dois:
- R$ 6 mil em dinheiro vivo encontrados em envelopes, sem justificativa compatível com hospedagem.
- Material de campanha não declarado, como camisetas padronizadas com o slogan “Desenvolve Diamantino”.
- Transferências via PIX identificadas como “Eleições 2024 Monizze”.
- Contratos de pessoal com valores reais superiores ao declarado oficialmente: R$ 1.080 pagos, mas apenas R$ 480 registrados na prestação de contas.
- Indícios de orçamento de campanha superior a R$ 300 mil, sete vezes acima do limite legal permitido (R$ 39.426,22).
Todo o esquema estaria sob coordenação de Eder de Moraes Dias, pai da vereadora e responsável financeiro da campanha.
Decisão judicial e consequências imediatas
O juiz Raul Lara Leite, da Justiça Eleitoral, julgou a ação procedente e determinou:
- Cassação do diploma da vereadora Monnize
- Inelegibilidade dela e de seu pai por 8 anos
- Multa de R$ 53.205,00
- Anulação dos votos recebidos e nova retotalização do pleito
- Comunicação à Câmara Municipal para substituição imediata no cargo
O magistrado rejeitou todas as preliminares da defesa, incluindo alegações de nulidade de provas e falta de interesse de agir. A decisão ainda apontou que a defesa teve pleno direito ao contraditório e à ampla defesa.
Provas robustas confirmaram irregularidades
Na audiência de instrução, realizada em 18 de junho de 2025, testemunhas e cabos eleitorais confirmaram o vínculo direto entre os registros do caderno e os pagamentos realizados. Também prestaram depoimento a própria candidata e seu pai, coordenador da campanha.
As provas documentais e testemunhais foram consideradas suficientes para comprovar a compra de votos, uso de recursos não declarados e abuso de poder econômico.




