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Caderno com esquema de compra de votos leva à cassação de vereadora em Diamantino

Anotações minuciosas, dinheiro em espécie e propaganda não declarada confirmaram caixa dois e compra de votos nas eleições de 2024

🕒 Publicado em 10/07/2025 às 10:57

Um caderno apreendido em um hotel de Diamantino foi peça-chave para a cassação do mandato da vereadora Monnize (União Brasil). O material continha registros detalhados de pagamentos por votos, como a anotação:

“Everton Catunda – 20 votos: R$ 5.000,00 – AGO/SET 2024”,
com assinatura de testemunhas, prazos e valores fracionados.

Esquema envolvia caixa dois e gastos ocultos

Durante a investigação, foram descobertos indícios claros de abuso de poder econômico e caixa dois:

  • R$ 6 mil em dinheiro vivo encontrados em envelopes, sem justificativa compatível com hospedagem.
  • Material de campanha não declarado, como camisetas padronizadas com o slogan “Desenvolve Diamantino”.
  • Transferências via PIX identificadas como “Eleições 2024 Monizze”.
  • Contratos de pessoal com valores reais superiores ao declarado oficialmente: R$ 1.080 pagos, mas apenas R$ 480 registrados na prestação de contas.
  • Indícios de orçamento de campanha superior a R$ 300 mil, sete vezes acima do limite legal permitido (R$ 39.426,22).

Todo o esquema estaria sob coordenação de Eder de Moraes Dias, pai da vereadora e responsável financeiro da campanha.

Decisão judicial e consequências imediatas

O juiz Raul Lara Leite, da Justiça Eleitoral, julgou a ação procedente e determinou:

  • Cassação do diploma da vereadora Monnize
  • Inelegibilidade dela e de seu pai por 8 anos
  • Multa de R$ 53.205,00
  • Anulação dos votos recebidos e nova retotalização do pleito
  • Comunicação à Câmara Municipal para substituição imediata no cargo

O magistrado rejeitou todas as preliminares da defesa, incluindo alegações de nulidade de provas e falta de interesse de agir. A decisão ainda apontou que a defesa teve pleno direito ao contraditório e à ampla defesa.

Provas robustas confirmaram irregularidades

Na audiência de instrução, realizada em 18 de junho de 2025, testemunhas e cabos eleitorais confirmaram o vínculo direto entre os registros do caderno e os pagamentos realizados. Também prestaram depoimento a própria candidata e seu pai, coordenador da campanha.

As provas documentais e testemunhais foram consideradas suficientes para comprovar a compra de votos, uso de recursos não declarados e abuso de poder econômico.

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