A forma de entrar nos estádios brasileiros está passando por uma mudança definitiva. A tradicional apresentação de ingressos físicos ou digitais vem sendo substituída pelo reconhecimento facial, tecnologia que já se tornou obrigatória em arenas com grande capacidade de público.
A medida está prevista na Lei Geral do Esporte e determina que estádios com mais de 20 mil lugares adotem o sistema. Na prática, o acesso agora depende do cadastro biométrico realizado no momento da compra do ingresso, permitindo a liberação direta nas catracas.
Um dos pioneiros na implementação foi o Allianz Parque, estádio do Palmeiras, que adotou a tecnologia em todos os acessos ainda em 2023. Desde então, houve aumento na velocidade de entrada do público e crescimento no número de sócios-torcedores, refletindo maior adesão ao modelo digital.
Além da praticidade, o principal argumento é a segurança. Como o ingresso se torna pessoal e intransferível, práticas como cambismo e uso de entradas falsas são praticamente eliminadas. A tecnologia também permite integração com bancos de dados oficiais, como o Banco Nacional de Mandados de Prisão, facilitando a identificação de pessoas com pendências legais.
Clubes que não são obrigados pela legislação também vêm aderindo ao sistema. É o caso da Vila Belmiro, casa do Santos Futebol Clube, que implementou a biometria e registrou redução de custos operacionais, além de melhorias no controle de acesso.
O uso da tecnologia também está ligado a iniciativas mais amplas de segurança, como o projeto Estádio Seguro, desenvolvido em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol e órgãos do governo federal. Em estados como São Paulo, sistemas integrados já resultaram na identificação de centenas de foragidos.
Apesar dos avanços, a adoção do reconhecimento facial não ocorre sem críticas. Especialistas e organizações apontam riscos relacionados à privacidade e ao uso de dados pessoais, especialmente diante das regras da Lei Geral de Proteção de Dados. Há preocupação também com possíveis falhas no sistema, incluindo identificações incorretas.
Estudos internacionais, como o de Joy Buolamwini e Timnit Gebru, já indicaram que algoritmos de reconhecimento facial podem apresentar variações de precisão conforme raça e gênero, o que reforça o debate sobre o uso responsável da tecnologia.
Mesmo diante das discussões, a tendência é de expansão. A biometria facial já começa a ser adotada também em shows e grandes eventos, sinalizando uma mudança estrutural na forma de controle de acesso e gestão de público no Brasil.
**Informações via Agência Brasil




