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“Brasil Não Vai se Intimidar”: Lula Rebate Tarifas dos EUA e Denuncia Interferência de Trump em Assuntos Internos

Presidente defende soberania nacional, fala em retaliação comercial e critica ingerência americana em julgamento de Bolsonaro

🕒 Publicado em 11/07/2025 às 07:58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional nesta quinta-feira (10), que o Brasil está disposto a negociar com os Estados Unidos, mas não aceitará imposições. A fala surge após o governo norte-americano anunciar novas tarifas sobre produtos brasileiros, o que Lula considera uma reação indevida e desinformada do presidente Donald Trump.

Lula classificou como “inadmissível” a intromissão de Trump no Judiciário brasileiro, após o ex-presidente americano divulgar uma carta criticando o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Lula, “ninguém tem o direito de interferir nas instituições de outro país, especialmente quando há processos legítimos em curso”.

Além de rechaçar a interferência, Lula reforçou que, caso não haja acordo, o Brasil aplicará a Lei da Reciprocidade já a partir de 1º de agosto, quando as tarifas americanas começarem a valer. Ele afirmou que o país vai recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e buscar apoio de outros parceiros comerciais, se necessário.

“O que o Brasil quer é respeito. Se Trump continuar com esse jogo de taxar, também será taxado. Nós não vamos ceder à pressão nem agir com febre emocional”, disse o presidente.

Lula negou que sua postura no BRICS ou declarações críticas aos EUA tenham motivado a retaliação americana. Segundo ele, o fórum internacional visa à autonomia dos países do Sul Global e não representa uma ameaça à relação com os Estados Unidos.

Sobre a visita à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, Lula disse que foi um gesto humanitário, autorizado pela Justiça daquele país, e não uma interferência. “Não fui dar palpite em decisão judicial. Fui prestar solidariedade, com autorização legal”, afirmou.

O presidente também prometeu diálogo com setores empresariais exportadores, como aço, suco de laranja e aviação, para avaliar os impactos e buscar soluções conjuntas.

“Essa é a hora de mostrar união. Empresário que acha que devemos ceder não tem orgulho de ser brasileiro.”

Embora afirme não ter tido até agora um motivo para contatar diretamente Trump, Lula não descarta fazê-lo se for necessário. “Quando houver um assunto sério a tratar, ligo para ele. Mas dois presidentes não ficam ligando para contar piada. E respeito é a base de qualquer diálogo.”

A tensão entre os países acirrou-se após Trump, sem aviso formal, divulgar em seu site medidas que afetam diretamente a balança comercial. Lula reagiu criticando o método e o conteúdo da mensagem, classificando como “um desaforo”.

“Se ele quer respeito, que também respeite. A Justiça brasileira julgará Bolsonaro com base nos autos. Aqui não existe perseguição política. Aqui existe lei”, concluiu Lula.

Enquanto isso, o Brasil organiza uma comissão de negociação e já analisa alternativas de mercado caso as relações comerciais com os EUA se deteriorem.

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