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NOTÍCIAJuiz Reafirma Prioridade da Justiça na Proteção de Mulheres Vítimas de Violência

Juiz Reafirma Prioridade da Justiça na Proteção de Mulheres Vítimas de Violência

Mesmo com pedido de liberdade do Ministério Público e da defesa, magistrado manteve prisão preventiva de homem acusado de manter companheira em cárcere por mais de 30 anos.

🕒 Publicado em 11/07/2025 às 07:34

Em uma decisão firme e simbólica pela proteção dos direitos das mulheres, o juiz Geraldo Fidelis Neto manteve a prisão preventiva de um homem acusado de violentar psicologicamente a companheira por mais de três décadas. O caso foi analisado durante uma audiência de custódia realizada em Cuiabá, após o flagrante de Edson Oliveira Marques, de 53 anos.

A prisão foi convertida mesmo diante de pedidos de liberdade feitos tanto pela defesa do acusado quanto pelo representante do Ministério Público. A vítima, de 43 anos, planejou cuidadosamente sua fuga durante seis meses até finalmente conseguir escapar da vigilância do marido em um supermercado da capital mato-grossense. Aproveitando um momento em que alegou mal-estar para ir ao banheiro, conseguiu entrar em um táxi e buscar ajuda diretamente em uma delegacia.

Segundo seu relato às autoridades, ela foi submetida a anos de abuso, vigilância constante e cárcere privado em uma propriedade rural da família. A situação a afastou inclusive dos filhos, que abandonaram o lar ainda na infância devido à violência vivida no ambiente familiar.

Para o juiz Fidelis, esse tipo de crime exige do Judiciário uma postura mais ativa. “A violência doméstica é um fenômeno dinâmico e singular que demanda uma atuação diferenciada do Poder Judiciário, que deve ser proativo para garantir proteção efetiva à vítima”, afirmou em sua decisão. Ele citou ainda o artigo 19 da Lei Maria da Penha, que permite a concessão imediata de medidas protetivas sem necessidade de audiência das partes ou manifestação prévia do Ministério Público.

Na decisão, Fidelis reforça que o papel do juiz, nesses casos, vai além da garantia dos direitos do investigado. “O magistrado também é responsável por assegurar a vida da mulher submetida a um cenário de violência”, destacou, ao determinar a transferência do acusado para o Presídio Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.

Em entrevista ao jornal A Gazeta, a vítima desabafou sobre a coragem que precisou reunir após uma vida de silêncios e sofrimento. Ela começou o relacionamento ainda na adolescência com quem era seu primeiro namorado e amigo de infância. Anos depois, viu-se presa em uma rotina de controle, violência e medo.

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