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ONS estuda retorno do horário de verão como medida emergencial

Medida pode ajudar a reduzir carga no sistema elétrico entre 2025 e 2029, mas especialistas apontam limites e sugerem outras soluções

🕒 Publicado em 09/07/2025 às 07:18

Diante da possibilidade de déficit de potência energética no horário de pico entre os anos de 2025 e 2029, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) analisa a reintrodução do horário de verão. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (8) pelo diretor de Planejamento da entidade, Alexandre Zucarato. Segundo ele, a medida é considerada emergencial e, se adotada, deve ser implementada até agosto, já que requer ao menos três meses de antecedência.

O retorno do horário de verão pode aliviar a carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) em até 2 gigawatts (GW) nos momentos de maior demanda no final do dia. No entanto, o tema divide opiniões entre especialistas do setor elétrico, que apontam limitações na eficácia da proposta.

Para Ivo Leandro Dorileo, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético da UFMT e do Nipe/Unicamp, além de ex-presidente da Sociedade Brasileira de Planejamento Energético (SBPE), a raiz do problema está na ausência de leilões de potência nos últimos anos, o que gerou insegurança energética. “A adoção do horário de verão não parece ser uma solução consistente. É preciso focar em ações de eficiência energética, tanto para grandes quanto para pequenos consumidores”, defende.

Dorileo também critica o atual modelo de gestão energética, que, segundo ele, não incentiva adequadamente a resposta da demanda.

Já o engenheiro eletricista Teomar Estevão Magri, coordenador de Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT), acredita que a retomada do horário de verão pode sim ter impacto positivo, principalmente no período em que a geração solar se encerra e a demanda elétrica cresce.

Magri sugere que o ONS avalie a proposta em conjunto com outras alternativas, como a compensação financeira a grandes consumidores que reduzirem o uso voluntariamente. Segundo ele, o deslocamento da carga elétrica no fim do dia pode evitar sobrecargas e reduzir a necessidade de acionamento das termelétricas — fontes mais caras e poluentes.

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