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TJMT determina paralisação de graxaria da Marfrig por risco à população de Várzea Grande

Decisão atende moradores e cita ausência de estudo de impacto e forte potencial poluidor próximo ao Rio Cuiabá

🕒 Publicado em 08/07/2025 às 09:35

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou, nesta segunda-feira (8), a paralisação imediata do funcionamento da graxaria da Marfrig Global Foods no bairro Alameda, em Várzea Grande. A decisão, assinada pelo desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, atende a uma ação movida por moradores da região, que denunciam risco à saúde e ao meio ambiente.

Segundo o magistrado, o empreendimento foi iniciado sem a realização do Estudo e Relatório de Impacto de Vizinhança (EIV e RIV), exigidos por leis municipais como a Lei Ordinária nº 4.968/2022 e o Plano Diretor (Lei Complementar nº 4.695/2021).

“O setor de graxaria além de possuir grande potencial ofensivo ao meio ambiente, pode ser prejudicial à saúde e bem-estar da população”, escreveu o desembargador.

Odor forte e risco ambiental em vários bairros

A planta industrial é voltada ao processamento de resíduos animais, como ossos, vísceras, sangue, penas e gorduras. De acordo com parecer técnico da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a emissão de odores intensos pode alcançar um raio de até 20 km — afetando bairros como Cristo Rei, Bela Vista e outras áreas densamente povoadas.

Além disso, a estrutura fica próxima ao Rio Cuiabá, o que levanta preocupações adicionais sobre contaminação ambiental.

Instalação ignorou audiências públicas e etapas legais

A decisão judicial ressalta que o funcionamento da graxaria descumpriu etapas legais fundamentais, como:

  • Audiência pública com os moradores
  • Avaliação do Conselho da Cidade de Várzea Grande
  • Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV)
  • Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV)

“Sem esses instrumentos, o risco à coletividade é evidente. O perigo da demora está demonstrado”, pontuou o desembargador.

Entenda o caso

A graxaria havia sido desativada há mais de 10 anos devido a queixas da população. Em 2022, a Marfrig retomou as obras, sem consulta pública, o que gerou uma onda de manifestações, protestos e denúncias por parte dos moradores.

Na época, a Vara Especializada de Meio Ambiente, sob o juiz Rodrigo Roberto Curvo, proibiu o início das operações, autorizando apenas a construção da estrutura física. No entanto, a empresa recorreu e conseguiu retomar parcialmente o licenciamento junto à Sema-MT.

O caso foi levado à Justiça por meio de uma Ação Popular Ambiental, que aponta descumprimento de ao menos três leis municipais relacionadas à instalação de atividades com potencial poluidor.

O que diz a Marfrig

Até a última atualização desta reportagem, a empresa Marfrig ainda não havia se manifestado oficialmente sobre a decisão judicial. A suspensão vale até que todos os requisitos legais e ambientais sejam integralmente cumpridos.

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