As principais estações de ônibus de Cuiabá — Alencastro, Bispo Dom José e Ipiranga — recebem diariamente milhares de passageiros, mas estão longe de oferecer condições ideais. Usuários apontam problemas como falta de segurança, estrutura precária, climatização ineficiente e higiene deficiente, tornando a espera pelo transporte público ainda mais desgastante.
Na Estação Bispo Dom José, a superlotação foi a reclamação mais frequente. Com 36 linhas atendidas, o espaço não suporta o volume de passageiros nos horários de pico. Jorge Pinho, que tem dificuldades de locomoção em razão de um AVC, mencionou a urgência de adaptações como rampas de acesso e melhorias na limpeza, ainda que conte com o auxílio dos funcionários para embarcar.
Na Estação Ipiranga, usuários denunciaram o forte mau cheiro causado pelo uso do local como banheiro por pessoas em situação de rua, além da falta de limpeza geral. Jacilda Ribeiro criticou a situação: “Não tem higiene, não tem limpeza, tudo cheio de teia de aranha. É desconfortável.” Ela também reclamou da falta de assentos para idosos e do calor excessivo, já que os aparelhos de ar-condicionado não funcionam de forma eficaz.
A estação, segundo relatos, chegou a operar com apenas uma porta durante longo período, gerando ainda mais tumulto. A recente reforma não solucionou os problemas estruturais. Além disso, goteiras oriundas dos aparelhos de ar-condicionado quebrados agravam o desconforto.
Já a Estação Alencastro, embora tenha menos queixas sobre limpeza, enfrenta falhas de segurança e temperatura elevada. Mesmo com a presença de um batalhão da Polícia Militar nas proximidades, passageiros relatam medo de permanecer no local à noite devido à iluminação precária e ao risco de assaltos.
Emily Gonçalves, uma das entrevistadas, relatou que evita o terminal no período noturno: “Sempre vou de Uber porque não tenho como ficar ali sozinha. Fica muito abandonado.”
Os usuários também reclamam da quantidade insuficiente de bancos e da inexistência de banheiros públicos, especialmente para idosos. Débora Borges lamentou a falta de estrutura: “Quando vem o horário de pico não dá para sentar. Sempre os mais velhos são as prioridades.”
Em nota, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) informou que os equipamentos de climatização passam por limpezas periódicas e atribuiu a superlotação a obras que afetam os horários dos ônibus. Além disso, a pasta afirmou que está em processo de contratação de uma empresa para realizar a manutenção geral das estações.










