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Sósia de Gabigol troca emprego em multinacional por carreira de “Gabigol da Torcida”

Jeferson Thiago viralizou em 2019 por sua semelhança com o atacante e transformou a brincadeira em profissão, eventos e novos negócios

🕒 Publicado em 24/08/2026 às 10:49

Em abril de 2019, uma goleada do Flamengo sobre o San José, da Bolívia, no Maracanã mudou a vida de Jeferson Thiago. Enquanto acompanhava a partida na arquibancada, ele foi chamado para dar entrevista e tirar fotos porque os torcedores perceberam sua semelhança com Gabigol.

A partir daquele momento, o apelido de “Gabigordo” ganhou as redes sociais e, pouco depois, Jeferson passou a se apresentar como “Gabigol da Torcida”.

O que começou como uma brincadeira acabou se transformando em profissão. Para aproveitar a semelhança, ele mudou o visual e passou a participar de eventos, campanhas publicitárias, festas e ações de empresas.

Do emprego formal aos eventos

Antes da fama, Jeferson tinha uma carreira tradicional. Foram quatro anos na Aeronáutica e outros 12 anos trabalhando em uma empresa multinacional.

Inicialmente, ele tentou conciliar o emprego com a atividade de sósia. Com o crescimento da procura, porém, a agenda ficou cada vez mais cheia e ele precisou escolher entre a estabilidade do trabalho formal e a nova carreira.

Segundo Jeferson, a diferença financeira também pesou na decisão. Enquanto recebia entre R$ 3,5 mil e R$ 3,8 mil por mês na empresa, chegou a faturar R$ 25 mil em apenas um dia de trabalho em São Paulo.

A mudança fez com que a atividade deixasse de ser apenas um “bico” e se tornasse sua principal fonte de renda.

Mercado de sósias ficou mais concorrido

Com o crescimento das redes sociais e da exposição dos jogadores, o mercado de sósias também aumentou. A maior concorrência, entretanto, acabou distribuindo os trabalhos entre um número maior de profissionais.

Outro fator que influenciou a carreira de Jeferson foi a própria trajetória de Gabigol.

Quando o sósia começou a ganhar notoriedade, o atacante era um dos principais jogadores do Flamengo e estava no auge da popularidade. Atualmente, atuando pelo Santos, o jogador vive um momento diferente na carreira, o que também repercutiu na procura pelo personagem.

Jeferson, porém, encontrou outras formas de manter os negócios.

Sósia também virou empresário

Além de trabalhar com publicidade, eventos corporativos e festas, Jeferson investiu em um novo negócio e abriu uma loja de eletrodomésticos e móveis.

A estratégia permite que ele continue viajando para realizar eventos enquanto funcionários cuidam da operação da loja.

Mesmo quando está trabalhando nos bastidores do novo empreendimento, a semelhança continua chamando atenção.

“Olha o Gabigol aí, saiu do Flamengo e virou entregador”, conta que costuma ouvir quando vai às fábricas buscar produtos.

Para Jeferson, as situações acabam virando histórias divertidas e mostram como a imagem construída ao longo dos anos continua abrindo portas.

A trajetória do “Gabigol da Torcida” mostra como uma semelhança física percebida por torcedores pode se transformar em uma carreira completamente diferente da planejada originalmente — e até abrir caminho para novos negócios.

Os desafios para manter a aparência

Jeferson sempre teve uma barba grande, uma característica que ajuda bastante na semelhança com Gabigol. Por isso, essa parte do visual nunca exigiu grandes mudanças.

O maior desafio está nos cortes de cabelo. Conhecido por mudar frequentemente de estilo, Gabigol acaba obrigando o sósia a acompanhar essas transformações para continuar convincente diante do público.

Jeferson conta que investe regularmente em novos cortes e penteados, mesmo quando a mudança dura pouco tempo.

“Quando as empresas procuram, tem que estar sempre parecido com ele. Quando ele coloca dread, para mim é o mais difícil porque dói muito a cabeça. Teve uma vez que ele colocou o dread no fim de semana, eu fui e viajei para fazer um trabalho. Quando voltei, na segunda-feira, coloquei o cabelo. Na terça, ele tirou. Esse tipo de coisa é complicado, mas faz parte”, relatou.

Tatuagens também fazem parte do personagem

As tatuagens, por outro lado, não foram uma novidade para Jeferson. Ele afirma que sempre gostou de arte corporal e já possuía diversos desenhos antes de começar a trabalhar como sósia.

A única tatuagem feita especificamente para aumentar a semelhança com Gabigol foi uma ave no pescoço, característica presente no visual do jogador.

Mesmo assim, Jeferson deixa claro que sua transformação não se resume à aparência. A construção do personagem também envolve roupas, comportamento e a maneira de interagir com os torcedores.

E como é a relação com Gabigol?

Carioca e flamenguista, Jeferson acompanhou de perto a trajetória de Gabigol entre 2019 e 2023, período em que o jogador se tornou um dos principais ídolos recentes do Flamengo.

Quando Gabigol deixou o clube carioca para defender o Cruzeiro, Jeferson chegou a receber convites de torcedores para acompanhar o jogador em Minas Gerais.

A resposta, porém, foi negativa.

“Não tenho essa de Gabigol Futebol Clube. Eu torço para o Flamengo e acompanho o Flamengo. Agora ele está no Santos, mas acompanho só o que acontece com ele, torço para que ele vá bem”, explicou.

A relação entre os dois, apesar da fama do sósia, nunca chegou a ser de amizade.

O próprio Gabigol já declarou publicamente que não considera Jeferson tão parecido com ele. Em entrevista ao podcast Podpah, o jogador chegou a brincar dizendo que o sósia “força muito” para parecer com ele.

Jeferson, entretanto, não demonstra incômodo com a declaração.

Segundo ele, os dois já estiveram no mesmo hotel, conversaram e chegaram a tirar fotos juntos. Apesar da cordialidade, nunca houve uma relação próxima.

“Já fiquei hospedado no mesmo hotel, tive contato com ele, tiramos foto e ele me recebeu super bem. Mas a gente nunca foi próximo. Ele já deixou claro que não curte muito”, contou.

Da arquibancada para uma nova profissão

A história de Jeferson começou de maneira inesperada, em uma arquibancada do Maracanã, mas ganhou proporções que ele provavelmente não imaginava.

O personagem “Gabigol da Torcida” passou a fazer parte de eventos, campanhas, festas e trabalhos publicitários. Ao mesmo tempo, ele buscou diversificar sua renda e abriu o próprio negócio.

A trajetória mostra como a popularidade de um jogador pode criar um mercado paralelo de profissionais que vivem da semelhança, do entretenimento e da interação com o público.

No caso de Jeferson, uma comparação feita por torcedores em 2019 acabou mudando completamente sua vida profissional. E, mesmo com as mudanças na carreira de Gabigol e com a concorrência no mercado de sósias, ele continua encontrando maneiras de manter o personagem em evidência.

g1

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