A trajetória de Hui Ka Yan, que por anos simbolizou a ascensão do setor imobiliário chinês, chegou a um desfecho dramático nesta quinta-feira (20). Aos 67 anos, o fundador da Evergrande foi condenado pela Justiça em Shenzhen por crimes relacionados à crise financeira que levou a empresa a acumular aproximadamente US$ 300 bilhões em dívidas.
A decisão ocorre cinco anos depois de a deterioração financeira da companhia provocar fortes repercussões na economia chinesa e aumentar a preocupação de investidores e mercados em relação à saúde do setor imobiliário do país.
Além da condenação, a Justiça determinou o confisco integral dos bens pessoais de Hui. O empresário, que chegou ao posto de homem mais rico da Ásia, viu sua fortuna desaparecer à medida que a Evergrande mergulhava em uma das maiores crises corporativas da história recente da China.
Segundo levantamento da Forbes, em 2017 Hui Ka Yan possuía um patrimônio estimado em US$ 45,3 bilhões.
Da ascensão ao colapso
Hui criou a Evergrande em 1996 e, ao longo das décadas seguintes, transformou a empresa em uma potência do mercado imobiliário chinês. A incorporadora chegou à liderança nacional em vendas contratadas e se tornou uma das companhias mais influentes do setor.
O crescimento acelerado, entretanto, foi acompanhado por um elevado nível de endividamento. Com a mudança das condições do mercado e o aumento das dificuldades financeiras, a empresa passou a enfrentar problemas para cumprir seus compromissos.
A situação se agravou até que a Evergrande deixou de honrar grande parte de suas obrigações financeiras. O impacto não ficou restrito à companhia e atingiu uma extensa cadeia formada por investidores, fornecedores, compradores de imóveis e outras empresas ligadas ao mercado imobiliário.
Crimes reconhecidos pelo empresário
Antes da sentença, Hui havia se declarado culpado, em abril, de oito acusações. Entre os delitos reconhecidos estão o uso indevido de recursos, fraude na captação de recursos, emissão fraudulenta de valores mobiliários e suborno.
A condenação representa o ponto final de uma queda que chamou atenção mundial. O empresário que chegou ao topo do ranking de bilionários da Ásia perdeu praticamente todo o patrimônio construído durante décadas de expansão empresarial.
Investidores também sofreram as consequências
Os efeitos da crise ultrapassaram o mercado financeiro e chegaram diretamente à população. A incapacidade da Evergrande de devolver valores relacionados a produtos de gestão de patrimônio provocou protestos de investidores.
Muitos dos manifestantes afirmavam ter perdido economias aplicadas nesses produtos, evidenciando o impacto social provocado pela crise da companhia.
O episódio se transformou em um dos principais símbolos das dificuldades enfrentadas pelo mercado imobiliário chinês e colocou em evidência os riscos associados a um modelo de expansão sustentado durante anos por altos níveis de endividamento.
Um alerta para o mercado imobiliário chinês
A derrocada da Evergrande, que chegou a figurar entre as maiores empresas imobiliárias do mundo, passou a representar também uma grave crise de confiança no setor.
O caso Hui Ka Yan demonstra como a expansão acelerada, quando acompanhada por uma estrutura financeira excessivamente alavancada, pode gerar consequências que vão muito além de uma única empresa. A crise atingiu investidores, consumidores e empresas e se tornou parte importante do debate sobre os limites do modelo de crescimento imobiliário adotado na China.




