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Palavras africanas moldam o vocabulário e a cultura do brasileiro no dia a dia

Expressões como samba, cafuné, dengo e axé revelam a forte influência das línguas africanas na formação cultural e linguística do Brasil

🕒 Publicado em 25/05/2026 às 08:33

Muito além da música, da culinária e da religiosidade, a presença africana está profundamente incorporada à maneira como os brasileiros falam diariamente. Termos usados de forma natural em conversas, manifestações culturais e relações familiares têm origem em línguas africanas trazidas ao Brasil ao longo dos séculos durante o período escravagista.

Palavras como “dengo”, “cafuné”, “axé”, “samba”, “caçula” e “quitanda” fazem parte do cotidiano nacional e carregam heranças linguísticas principalmente dos troncos banto e iorubá.

A discussão ganha destaque neste 25 de maio, data em que é celebrado o Dia da África, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em referência à criação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 1963.

O pesquisador e babalaô Ivanir dos Santos, doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que diversas palavras de origem africana seguem vivas no vocabulário brasileiro preservando significados ligados à cultura, aos sentimentos e às relações humanas.

Entre os exemplos mais populares estão “cafuné”, que representa carinho na cabeça; “dengo”, associado à carência e afeto; “axé”, relacionado à força vital e energia; além de “samba”, expressão que se tornou símbolo cultural do país.

Segundo especialistas, o português falado no Brasil absorveu milhares de palavras africanas ao longo da história. O filólogo e linguista Ricardo Stavola Cavaliere, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), destaca que essas influências aparecem em diferentes áreas da vida social, incluindo música, culinária, fauna e tradições religiosas.

Na gastronomia, palavras como “vatapá”, “dendê”, “moqueca” e “farofa” têm origem africana. Já no universo musical, instrumentos e ritmos como “berimbau” e “cuíca” reforçam essa herança cultural.

O professor explica ainda que muitos desses termos passaram por adaptações fonéticas ao serem incorporados ao português brasileiro, mantendo, porém, forte ligação com os significados originais.

A influência africana também aparece nas relações familiares e afetivas. Termos como “caçula” e “cafuné”, por exemplo, se popularizaram devido à intensa convivência de mulheres africanas escravizadas dentro dos lares brasileiros, especialmente durante o período imperial.

As principais contribuições linguísticas vieram inicialmente de idiomas como quimbundo, umbundo e quicongo, falados em regiões de Angola. Mais tarde, a chegada de povos iorubás ampliou a presença de palavras ligadas às religiões de matriz africana, como “orixá”, “babalorixá” e “Ogum”.

O pesquisador angolano Gio Cattuco, conhecido nas redes sociais pela divulgação da cultura africana, também destaca palavras herdadas diretamente de idiomas africanos e incorporadas ao português brasileiro. Entre elas estão “muvuca”, “capanga”, “babá”, “beleléu” e “caçamba”.

Para estudiosos da área da educação e cultura, o vocabulário de origem africana representa não apenas uma contribuição linguística, mas também uma forma de resistência histórica e preservação da identidade negra no Brasil.

O professor Augusto Ribeiro afirma que os brasileiros utilizam expressões africanas diariamente sem perceber a dimensão cultural presente nessas palavras. Segundo ele, cada termo preservado no idioma representa parte da memória e da resistência do povo negro.

Já o linguista Gilvan Muller de Oliveira defende que o Dia da África seja visto como oportunidade para fortalecer relações culturais, acadêmicas e econômicas entre Brasil e países africanos na atualidade, valorizando o continente além do passado escravagista.

Dentro dessa proposta de aproximação, o Ministério da Educação (MEC) realiza em Brasília o 1º Fórum de Reitores Brasil-África, com foco na cooperação educacional entre universidades brasileiras e instituições africanas.

**Informações via Agência Brasil

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