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Pesquisa aponta rejeição de moradores de favelas a operações policiais com confronto armado no Rio

Levantamento inédito revela que maioria dos entrevistados considera ações violentas ineficazes e denuncia impactos na rotina, educação e segurança das comunidades

🕒 Publicado em 20/05/2026 às 08:27

Uma pesquisa inédita realizada em grandes comunidades do Rio de Janeiro revelou que a maior parte dos moradores não apoia operações policiais marcadas por confrontos armados. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (20), ouviu mais de 4 mil pessoas residentes nos complexos da Maré, Alemão, Penha e Rocinha e aponta forte rejeição ao atual modelo de atuação policial nas favelas cariocas.

De acordo com o levantamento, 92% dos entrevistados afirmaram que as operações não deveriam ocorrer da forma como são realizadas atualmente. Desse total, 68% defendem mudanças no modelo de ação policial e 24% acreditam que esse tipo de operação não deveria acontecer nas comunidades. Apenas uma pequena parcela declarou apoiar o formato atual.

A pesquisa foi conduzida por seis organizações da sociedade civil e entrevistou presencialmente 4.080 moradores entre os dias 13 e 31 de janeiro deste ano. Cada uma das quatro comunidades contou com 1.020 participantes. O estudo foi coordenado por Eliana Sousa Silva, fundadora da Redes da Maré.

Segundo os dados apresentados, 73% dos moradores afirmaram não concordar com o atual padrão das operações policiais. Mesmo entre aqueles que apoiam ações policiais nas comunidades, a maioria rejeita abusos e excessos cometidos durante as intervenções. Para 91% dos entrevistados, há ilegalidades e violência excessiva por parte das forças de segurança durante as operações.

O levantamento também identificou os principais impactos causados pelas operações na vida dos moradores. A restrição de circulação foi o problema mais citado, seguida por invasões de residências, estabelecimentos comerciais e veículos, além de tiroteios constantes e casos de balas perdidas. A pesquisa aponta ainda prejuízos frequentes à educação, com escolas permanecendo fechadas por vários dias em razão dos confrontos.

Outro dado destacado no estudo é o medo da população em relação às forças policiais. Cerca de 78% dos entrevistados afirmaram sentir medo da polícia durante as operações, percentual que supera, inclusive, o medo de grupos armados em alguns casos. O sentimento é mais intenso entre jovens de 18 a 29 anos, faixa etária que apresentou maior rejeição às operações policiais.

A pesquisa também abordou a percepção de racismo nas ações de segurança pública. Para 61% dos moradores entrevistados, existe tratamento racial desigual na forma como as operações são planejadas e executadas nas favelas. Entre pessoas pretas, a rejeição às operações chegou a 81%.

Os organizadores defendem que o debate sobre segurança pública vá além do confronto armado e considere políticas públicas voltadas à garantia de direitos, acesso à educação, mobilidade e preservação da vida nas comunidades. O estudo ainda alerta para o aumento da letalidade em operações recentes e para o impacto do tema no cenário eleitoral deste ano.

**Informações via Agência Brasil

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