Em entrevista concedida ao programa Cidade Alerta, da TV Vila Real, na última quinta-feira (15), Lívia Nery, filha do advogado Renato Nery, assassinado a tiros em julho de 2024, quebrou o silêncio pela primeira vez desde a prisão dos supostos mandantes do crime — César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos. O casal é apontado pelas autoridades como responsável por encomendar a execução do advogado em meio a uma disputa fundiária milionária.
O homicídio ocorreu no dia 5 de julho de 2024, em frente ao escritório de Renato, em Cuiabá. A vítima foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Desde então, as investigações da DHPP levaram à prisão de mais de 10 envolvidos, incluindo o executor confesso Alex Roberto de Queiroz Silva, que declarou ter recebido R$ 150 mil pelo crime — embora o valor acordado fosse R$ 200 mil.
“A vida do meu pai não tem preço”
Lívia Nery, ao comentar os valores divulgados, disse não acreditar que o assassinato tenha sido encomendado apenas por R$ 200 mil, dado o número de pessoas envolvidas.
“A vida do meu pai não tem valor, mas esse valor alegado, até o momento, acho incoerente. Se já tem 10 pessoas presas, esse valor de R$ 200 mil, dividido por 10 pessoas, eu não acredito que uma pessoa mataria por R$ 20 mil”, afirmou.
Ela também expressou dúvidas de que o casal preso seja o único responsável pelo planejamento do crime. Segundo Lívia, outras pessoas com interesse na disputa fundiária podem estar envolvidas:
“É uma terra que envolvia a família toda, não apenas o casal. Ali eram posseiros que passaram várias famílias, então acredito que devem ter outras pessoas por trás. Isso é o que a gente acredita, não tenho como afirmar”, completou.
Disputa de terras milionária
O advogado da família, Walmir Cavalheri, também participou da entrevista e afirmou que as áreas de terra disputadas por Renato Nery e o casal envolvido são avaliadas em cerca de R$ 50 milhões. Ele era amigo pessoal da vítima e acompanha de perto os desdobramentos da investigação.
Mesmo quase um ano após o crime, a filha do advogado acredita que a investigação está longe do fim:
“Acho que [a investigação] está na metade. Acredito que haverá desdobramentos com esses depoimentos. Não acredito que um casal assim teria influência para contratar tantos policiais para um assassinato.”
O crime e a investigação
Renato Nery foi morto a tiros na manhã do dia 5 de julho de 2024, na avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. O executor do crime fugiu em uma motocicleta até uma chácara localizada no bairro Capão Grande, em Várzea Grande. Câmeras de segurança registraram o trajeto da moto, o que foi essencial para o avanço das investigações.
Com base nessas imagens, a DHPP iniciou buscas intensas na região da chácara, o que teria assustado os envolvidos. Segundo o delegado Bruno Abreu, essa movimentação policial teria motivado a tentativa dos suspeitos de se livrar da arma do crime.
“As evidências indicam que o intuito era abandonar a arma empregada no homicídio, levando à possível incriminação de outras pessoas na ocorrência do suposto confronto registrado no dia 11 de julho”, explicou o delegado.
Com o inquérito principal concluído, os autores materiais seguem presos preventivamente. O caso do casal apontado como mandante será investigado em inquérito complementar. Julinere aceitou colaborar com as investigações, enquanto César permaneceu em silêncio durante o depoimento.
Da Redação




