A prévia da inflação no Brasil registrou aceleração em abril, impulsionada principalmente pelos custos de alimentação e combustíveis. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 avançou 0,89% no mês, superando o resultado anterior e sinalizando maior pressão sobre o consumo das famílias.
No acumulado de 12 meses, o indicador chega a 4,37%, mantendo-se dentro da margem de tolerância da meta inflacionária, mas demonstrando tendência de alta frente ao período anterior. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Entre os nove grupos analisados, o segmento de alimentação e bebidas liderou o impacto, com alta de 1,46%, seguido por transportes, que avançaram 1,34%. Juntos, esses dois grupos foram responsáveis pela maior parte da pressão inflacionária no período.
No setor alimentício, o aumento foi puxado principalmente pela alimentação no domicílio, que acelerou para 1,77%. Produtos como cenoura, cebola, leite longa vida e tomate registraram elevações expressivas, refletindo fatores como entressafra e redução na oferta.
Já no grupo de transportes, o destaque foi a alta de 6,06% nos combustíveis. A gasolina apresentou elevação de 6,23%, sendo o item com maior impacto individual no índice. O óleo diesel também registrou forte aumento, influenciando diretamente custos logísticos e produtivos.
O cenário internacional contribui para esse movimento. A instabilidade no Oriente Médio, envolvendo tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, tem afetado o mercado global de petróleo, especialmente devido a riscos no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de energia. A redução da oferta global pressiona os preços internacionais, impactando diretamente países como o Brasil.
Mesmo com medidas adotadas pelo governo para mitigar os efeitos, como subsídios e desonerações, o impacto ainda é considerado relevante no curto prazo.
O IPCA-15 antecipa a tendência da inflação oficial, servindo como termômetro para a política econômica. A diferença em relação ao índice cheio está no período de coleta e na abrangência geográfica, mas ambos utilizam metodologia semelhante e consideram o consumo de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.
O resultado de abril reforça o desafio de equilibrar custos internos e fatores externos, em um ambiente de volatilidade nos preços de commodities e alimentos básicos.
**Informações via Agência Brasil




