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Justiça bloqueia R$ 22 milhões e sequestra imóveis de investigados na Operação Poço Sem Fundo

Investigação revela esquema de corrupção na Metamat que causou prejuízo milionário com contratos fraudulentos para perfuração de poços artesianos em áreas rurais e privadas de Mato Grosso.

🕒 Publicado em 16/05/2025 às 18:55

A Justiça determinou o sequestro de 49 imóveis, 79 veículos e o bloqueio de mais de R$ 22 milhões de 16 servidores públicos investigados na Operação Poço Sem Fundo, que apura um esquema de fraudes em contratos para perfuração de poços artesianos em Mato Grosso. A decisão foi proferida pela juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO).

Entre os principais alvos estão o ex-diretor administrativo da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), Wagner Ramos (União), que também é ex-deputado estadual; o ex-presidente da estatal, Juliano Jorge Boraczynski; e o diretor-técnico Francisco Holanildo Silva Lima.

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e teve início a partir de uma denúncia apresentada pelo próprio Governo do Estado. A operação foi deflagrada em 8 de maio.

Segundo a polícia, os crimes ocorreram entre 2020 e 2023, com atuação de um grupo criminoso infiltrado na Metamat. O esquema envolvia fraudes em contratos para a perfuração de poços que deveriam fornecer água potável a comunidades rurais. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 22 milhões.

Fraudes e irregularidades

Relatórios elaborados pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) apontam:

  • Indícios de fraudes na execução dos contratos
  • Superfaturamento
  • Desvio de recursos públicos
  • Indícios de lavagem de dinheiro

Além disso, os contratos investigados apresentam irregularidades como:

  • Poços inexistentes nos locais declarados
  • Estruturas inadequadas para armazenamento de água
  • Obras realizadas em áreas privadas, como plantações, pastagens, garimpos, granjas e até zonas urbanas
  • Casos em que moradores precisaram improvisar o acesso à água

Decisões judiciais

Além do bloqueio de valores e sequestro de bens, a Justiça determinou:

  • Auditorias nas empresas envolvidas
  • Suspensão de pagamentos e novos contratos com o poder público
  • Proibição de atuação dos investigados em cargos públicos

Ao todo, 16 servidores públicos e oito empresas são alvos da operação. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e Tangará da Serra, totalizando 30 ordens judiciais executadas.

Crimes investigados

Os investigados poderão responder por:

  • Peculato
  • Fraude em licitações
  • Falsidade ideológica majorada
  • Contratação direta ilegal
  • Associação criminosa
  • Lavagem de dinheiro

A operação segue em andamento e novas fases não estão descartadas.

Da Redação

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