A Polícia Civil de Mato Grosso avançou em mais uma etapa no combate ao crime organizado ao garantir na Justiça o bloqueio de rendimentos provenientes de imóveis investigados por ligação com atividades ilícitas. A medida amplia o alcance das ações de descapitalização de grupos criminosos, atingindo não apenas os bens, mas também os valores gerados por eles.
A decisão judicial estabelece que os aluguéis de imóveis sequestrados durante a Operação Mamom sejam depositados diretamente em conta judicial vinculada ao processo. A determinação atende a pedido da autoridade policial responsável pelo inquérito, com o objetivo de impedir que os investigados continuem se beneficiando financeiramente durante o andamento das investigações.
Os imóveis estão localizados em um condomínio fechado em Cuiabá, e os locatários foram oficialmente intimados a realizar os depósitos mensais conforme a nova regra. O entendimento da Justiça considera que a indisponibilidade patrimonial deve abranger também os chamados rendimentos dos bens, como é o caso dos aluguéis, evitando a circulação de recursos possivelmente oriundos de práticas criminosas.
A decisão reforça a necessidade de preservar esses valores, classificados juridicamente como “frutos civis”, garantindo que não sejam dissipados antes da conclusão do processo. A medida também contribui para assegurar eventual ressarcimento ao Estado e fortalecer a responsabilização dos envolvidos.
Deflagrada em junho de 2025, a Operação Mamom teve como foco desarticular uma organização criminosa atuante em Cuiabá, investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico. Durante a ação, foram cumpridas diversas ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens.
As investigações identificaram movimentações financeiras relevantes e conexões com suspeitos de outros estados, indicando a atuação estruturada do grupo. Na ocasião, também foram apreendidos veículos de alto valor, arma de fogo e entorpecentes ocultados em compartimentos adaptados, além de prisões em flagrante.
A nova decisão judicial fortalece a estratégia de enfraquecimento econômico de organizações criminosas, considerada uma das principais ferramentas no enfrentamento ao crime. Ao impedir o acesso a recursos financeiros, as autoridades buscam reduzir a capacidade operacional dos grupos e interromper a continuidade das atividades ilegais.




