A Petrobras anunciou uma medida para suavizar os efeitos do recente aumento no combustível de aviação, adotando uma solução financeira voltada à sustentabilidade do setor aéreo. Após divulgar um reajuste significativo no querosene de aviação (QAV), a companhia decidiu permitir o parcelamento de parte desse aumento para distribuidoras que abastecem companhias aéreas.
Pelo novo modelo, as empresas poderão absorver inicialmente apenas uma fração do reajuste — equivalente a 18% — e dividir o restante em até seis parcelas mensais, com início previsto para os próximos meses. A iniciativa oferece um intervalo adicional antes do início dos pagamentos, criando um alívio imediato no fluxo de caixa das distribuidoras e, indiretamente, das companhias aéreas.
Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil, o combustível representa aproximadamente um terço dos custos operacionais das empresas aéreas, o que amplia o impacto de reajustes bruscos no setor.
A estatal informou que disponibilizará um termo de adesão ao mercado nos próximos dias, com validade retroativa, permitindo que os agentes econômicos optem pelo modelo de parcelamento. A medida poderá ser mantida nos meses seguintes, a depender das condições de mercado.
O movimento ocorre em meio a um cenário internacional pressionado, marcado pela alta das cotações do petróleo, influenciada pela guerra no Oriente Médio. A instabilidade em regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz, tem afetado diretamente a oferta global e impulsionado os preços.
O barril do tipo Brent voltou a operar acima da faixa dos US$ 100, elevando os custos de derivados como o QAV. O reajuste anunciado para abril ficou muito acima das variações recentes, refletindo a intensidade da pressão externa.
Com participação dominante na produção nacional desse combustível, a Petrobras atua em um mercado aberto, onde também há espaço para importadores e outros produtores. Ainda assim, suas decisões têm impacto direto sobre toda a cadeia da aviação.
A estratégia de parcelamento sinaliza uma tentativa de equilibrar dois objetivos: manter a viabilidade econômica dos clientes e preservar a estabilidade financeira da própria companhia, em um ambiente de elevada volatilidade global.
**Informações via Agência Brasil




