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Unemat lidera revolução genética do mamão e busca independência de sementes no Brasil

Pesquisa em Mato Grosso desenvolve variedades mais doces, resistentes e adaptadas ao clima brasileiro

🕒 Publicado em 01/04/2026 às 09:03

O Brasil ocupa posição de destaque como segundo maior produtor mundial de mamão, mas enfrenta uma fragilidade estratégica: a forte dependência de sementes importadas. Para mudar esse cenário, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) conduz um avançado programa de melhoramento genético no câmpus de Tangará da Serra, com foco na criação de variedades mais produtivas e adaptadas às condições nacionais.

Coordenado pelo pesquisador Willian Krause, o projeto busca ampliar a diversidade genética do mamão cultivado no país. Atualmente, grande parte da produção depende de linhagens estrangeiras, o que torna o setor vulnerável a pragas, doenças e variações climáticas.

Foto: Rayla Nemis de Souza (melhorada por IA) | SECOM MT

A proposta vai além da criação de uma nova fruta: trata-se de desenvolver plantas com alto desempenho agronômico, combinando características como maior doçura, resistência e durabilidade pós-colheita. Para isso, os cientistas realizam cruzamentos entre variedades de elite e utilizam ferramentas modernas de análise genética.

No Laboratório de Biologia Celular e Molecular da universidade, técnicas como marcadores moleculares permitem identificar, ainda nas fases iniciais, quais plantas têm maior potencial produtivo. Esse processo reduz custos, acelera resultados e aumenta a precisão do melhoramento genético.

Foto: Rayla Nemis de Souza | SECOM MT

Outro diferencial do projeto é a formação de pesquisadores. A iniciativa envolve estudantes de pós-graduação e promove integração com o setor privado, como no caso da parceria com a Feltrin Sementes, onde alunos realizam treinamentos práticos e aplicam conhecimentos científicos em ambiente de inovação.

O desenvolvimento de uma nova cultivar é um processo longo, que pode levar mais de uma década, passando por etapas que vão desde cruzamentos genéticos até testes de campo e registro oficial. Ao final, a tecnologia será licenciada, gerando retorno financeiro para a universidade e fortalecendo o ciclo de pesquisa.

Foto: Rayla Nemis de Souza | SECOM MT

A iniciativa conta com apoio de instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso, consolidando um modelo de cooperação entre setor público e privado.

Mais do que reduzir a dependência externa, o chamado “Mamão Unemat” representa um avanço estratégico para o agronegócio brasileiro, promovendo inovação, geração de conhecimento e maior segurança para a produção agrícola nacional.

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